As mulheres republicanas que apoiam Hillary Clinton

Grupo de mulheres levou o movimento anti-Trump ainda mais longe e vai fazer tudo para eleger a adversária democrata

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“Há uma escolha mais razoável”, dizem republicanas por Clinton ADAM BETTCHER/REUTERS

O movimento anti-Trump no interior do Partido Republicano foi derrotado na convenção que está a decorrer em Cleveland, mas continua visível nas manifestações de alguns delegados presentes no pavilhão Quicken Loans e nas ausências dos antigos Presidentes Bush, pai e filho, e dos anteriores nomeados John McCain e Mitt Romney. Mas na capital federal dos Estados Unidos, um grupo de mulheres do Partido Republicano levou o movimento anti-Trump ainda mais longe: não só quer ver o magnata bem longe da Casa Branca, como vai fazer tudo para eleger Hillary Clinton.

Chama-se Mulheres Republicanas a Favor de Hillary e foi criado em Maio, quando Donald Trump assegurou a nomeação ao ficar sozinho na corrida, depois das desistências do senador Ted Cruz e do governador John Kasich.

Uma dessas mulheres é Meghan Milloy, nascida numa família conservadora do Mississípi e actualmente responsável pelas políticas de serviços financeiros na organização sem fins lucrativos American Action Forum, que promove propostas de centro-direita.

Licenciada em Ciência Política e Direito, foi para Washington D.C. para se envolver mais com o mundo da política, apoiando sempre candidatos do Partido Republicano, no qual se filiou assim que pôde, aos 18 anos.

Em conversa com o PÚBLICO a partir de Washington, Meghan Milloy diz que nas eleições primárias votou no governador do Ohio, John Kasich, talvez o único candidato moderado dos 17 que chegaram a concorrer à nomeação este ano.

Quem teve a ideia de formar um grupo de mulheres republicanas a favor da candidata do Partido Democrata foi a sua amiga Jennifer Lim, mas Meghan Milloy aderiu à primeira.

“Nunca pensámos que chegássemos a este ponto, a uma escolha entre Donald Trump e Hillary Clinton. Mas quando ficámos com estes dois, tínhamos de decidir o que fazer. Por um lado, temos alguém com quem não concordamos muito em termos de políticas, mas achamos que é uma pessoa sensata; por outro, temos alguém com quem também não concordamos em termos de políticas, mas que não é uma pessoa sensata”, diz Meghan Milloy.

Mais do que pensarem o que fazer perante as duas hipóteses, o grupo quis chegar a outros republicanos, que tinham a mesma dúvida mas também algum receio de a expressar publicamente: “Muitos republicanos dizem que não podemos votar em Hillary Clinton, e nós queriamos que as pessoas soubessem que podem. Este ano há uma escolha mais razoável do que outra.”

Nascida numa família “muito conservadora e republicana desde sempre”, Milloy diz que, ainda assim, recebeu muito mais reacções positivas do que negativas. “Algumas pessoas dizem-nos que se sentiam pouco confortáveis para dizer que, como republicanos conservadores, estavam a pensar em votar em Hillary Clinton, por isso usam-nos como tema de conversa. Sabem que há outras pessoas que pensam como elas, e que não estão loucas.”

Vão votar em Hillary Clinton porque Donald Trump “é um pouco desequilibrado, é racista e misógino”, diz Meghan Milloy. “Acho que até certo ponto é também um narcisista. Como indivíduo pode não ser perigoso, mas as políticas dele e o seu comportamento em relação a outras pessoas, a outros países e aos seus respectivos líderes são perigosas. E são perigosas especialmente nos dias de hoje”, acusa.

E se Bernie Sanders tivesse ultrapassado Hillary Clinton na corrida pela nomeação, deixando alguns republicanos e democratas sem uma escolha óbvia, o que fariam estas mulheres que agora são a favor de Hillary Clinton? “É uma boa pergunta. Se o Bernie Sanders fosse nomeado, acho que teria de votar num terceiro partido, talvez em Gary Johnson”, o candidato do Partido Libertário.

“Muita da nossa preocupação com estas eleições é com os valores do Partido Republicano. Começou como o partido de Lincoln, e não queremos que se transforme no partido de Trump”, conclui.