Europeus receiam que entrada de refugiados leve ao aumento do terrorismo

Inquérito realizado em dez países europeus pelo Pew Research Center revela que as populações acreditam que a entrada de refugiados e o aumento de terrorismo estão relacionados.

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Refugiados sírios em Lampedusa, Itália Antonio Parrinello/Reuters

Para muitos europeus, a entrada de refugiados nos seus países está directamente relacionada com o aumento do terrorismo e também com a falta de empregos, cortes nos benefícios sociais e outros efeitos negativos na economia. Essa é a principal conclusão de um estudo de opinião conduzido pelo think-tank norte-americano Pew Research Center, que auscultou mais de 11 mil pessoas em dez países da União Europeia, que juntos representam 80% da população do bloco.

Segundo os dados do Pew Research Center, divulgados esta terça-feira, mais de metade das pessoas em oito dos dez países  em que o inquérito foi realizado – Hungria, Itália, Polónia, Grécia, Holanda, Suécia, Espanha, Alemanha, França e Reino Unido – acredita que a chegada de refugiados ao território europeu faz crescer o risco de segurança e torna mais prováveis actos de terrorismo no seu país. A Hungria e a Polónia são os dois Estados onde os receios com a presença de refugiados são mais elevados, com respectivamente 76% e 71% dos inquiridos a fazer essa associação entre as populações em fuga e a ameaça terrorista. No outro lado, França e Espanha são os países onde menos se detecta

Outra preocupação dos europeus está relacionada com questões económicas. Mais de metade das pessoas a viver em cinco dos países incluídos no inquérito acredita que o acolhimento de refugiados pode ameaçar os seus empregos e benefícios sociais: para  húngaros, polacos, gregos, italianos e franceses esse é o principal problema.

A Suécia e a Alemanha – que em 2015 receberam o maior número de pedidos de asilo na Europa, de acordo com a AFP – são os únicos países deste relatório em que pelo menos metade dos inquiridos encara a integração de refugiados como positiva e considera que a sua nação sai beneficiada com o trabalho dos imigrantes.

A associação entre a chegada de refugiados e o aumento da criminalidade não é tão comum, excepto em Itália, onde 47% dos inquiridos culpam os refugiados mais do que qualquer outro grupo pela incidência do crime. Segue-se a Suécia com 46%.

“Entre os europeus, as percepções dos refugiados são influenciadas em parte pelas atitudes negativas direccionadas a muçulmanos que já vivem na Europa”, refere o relatório. A AFP relembra que há partidos políticos espalhados pela Europa a aumentar a sua popularidade recorrendo a uma retórica anti-imigração e, em alguns casos, contra muçulmanos: os partidos nacionalistas Frente Nacional em França, UKIP no Reino Unido, Alternativa para a Alemanha (AfD) e o Partido da Liberdade (FPÖ) da Áustria – país que não está incluído no inquérito do Pew Research Center.

É na Hungria, Itália, Polónia e Grécia que se registam as opiniões mais negativas relativamente à comunidade muçulmana. “Para alguns europeus, as atitudes negativas direccionadas a muçulmanos estão relacionadas com a crença de que os muçulmanos não querem participar na sociedade”, ou seja, acreditam que os muçulmanos não querem adoptar os costumes culturais do país onde vivem. No entanto, esta visão tem vindo a alterar-se e a percentagem de indivíduos que disseram que os muçulmanos a viver no seu país podiam apoiar grupos terroristas foi menos de 50% em todos os dez países.

A ideologia política, o nível de educação e a idade das pessoas que responderam a este inquérito do Pew Research Center parece ter influência no resultado. Os apoiantes de partidos mais à direita são mais cépticos em relação aos refugiados. Também os mais velhos e com um nível de educação menor revelaram opiniões mais negativas.

O inquérito do Pew Research Center foi realizado em dez países europeus e também nos EUA, para comparação de dados. Teve 11,494 participantes que responderam de 4 de Abril a 12 de Maio deste ano. O inquérito foi realizado antes do referendo à permanência ou saída do Reino Unido da União Europeia e dos ataques terroristas no aeroporto de Atatürk em Istambul, na Turquia. A margem de erro é de 3,1% a 4,6%.