Opinião

Portugal allez

Permita-se a metáfora futebolística, que por estes dias todos os caminhos vão lá dar. Os ecos do debate do Estado da Nação desta quinta-feira nas redes sociais, que mais do que um barómetro eleitoral tendem sobretudo a funcionar como segunda câmara parlamentar, fizeram lembrar por momentos as noites agarradas à calculadora a ver se Portugal conseguiria o apuramento para um Europeu ou um Mundial. O nosso jogo podia ser em São Bento, mas as atenções estavam viradas para outro, em Bruxelas, que Portugal deixou de depender de si próprio.

A declaração da Comissão Europeia sobre o incumprimento das metas de redução do défice nos anos de 2013 a 2015, com a confirmação de que as contas sujeitas a avaliação reportam à anterior governação, foi recebida com satisfacção nas hostes afectas ao Executivo de António Costa. À direita, um relativo silêncio no Facebook e no Twitter depois de uma manhã passada a partilhar loas à selecção nacional. A excepção ficaria reservada para a reacção às palavras do líder da bancada socialista Carlos César, que acusou os sociais democratas de “atrapalhar o seu próprio país” para “tramar o Governo” no diferendo europeu. No Twitter, reagia o deputado Miguel Morgado (PSD): “Existe palavra para abaixo de rasteiro? Precisamos dela para descrever o discurso de Carlos César”.

No mesmo sítio, o também social democrata Duarte Marques acusava César de “mentir compulsivamente”.

Fora do circuito parlamentar, a utilização de cartazes por Assunção Cristas seria satirizada com fotomontagens, mostrando mais uma vez que o que funcionava para a televisão não resulta necessariamente na internet.

O debate seria contudo um assunto secundário numa quinta-feira quente em que, mais do que em São Bento ou Bruxelas, as atenções já estão viradas para a noite de domingo em Paris. É esse o Estado da Nação.