Para PSD, país está pior e estado da nação não se recomenda

Economia nacional "em forte abrandamento", "degradação das condições económicas", investimento “em queda", descida “das exportações" são apenas algumas das conclusões dos sociais-democratas em relação ao estado de Portugal no final desta sessão legislativa.

Passos Coelho, líder da oposição
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Passos Coelho, líder da oposição Daniel Rocha

Enquanto decorria o debate sobre o Estado da Nação no Parlamento e no qual não poderia faltar o pingue-pongue entre a direita e a esquerda sobre quem fez pior ao país ou de quem é a responsabilidade sobre eventuais sanções vindas de Bruxelas, o gabinete de imprensa do PSD fez chegar aos jornalistas um conjunto de nove folhas com gráficos e, em alguns casos, dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), que provam, para os sociais-democratas, que o estado da nação não se recomenda.

E elencam então vários dados: concluem que a economia nacional está em “em forte abrandamento”, uma vez que o crescimento económico (PIB real) do 1.º trimestre de 2016, em comparação com o 2015, desce – de 15,% para 0,9%. Falam em “degradação das condições económicas” e sublinham que o investimento está “em queda” – “o investimento interrompe a trajectória de crescimento iniciada há 18 meses e contrai 2% no 1.º trimestre de 2016”.

Alegam ainda que há um “forte abrandamento das exportações” – “o crescimento das exportações no 1.º trimestre de 2016 é menos de metade do crescimento das exportações do ano anterior” – passa de 5,2% para 2,4%. Insistem que o “desemprego aumenta” – “a taxa de desemprego aumenta para 12,4% no 1.ºtrimestre de 2016, contrariando a previsão do governo de redução da taxa anual para 11,4%” e que “a economia perde cerca de 50 mil postos de trabalho em apenas um trimestre”, do 4.º trimestre de 2015 para o 1.º de 2016.

E, para o futuro, insistem também que “as projecções de crescimento do Governo estão completamente desfasadas das previsões das organizações nacionais e internacionais”, que as projecções mais recentes apontam para a “contracção do investimento para a totalidade do ano” e que o défice orçamental está “longe” do previsto pelo Governo.

Lembram, a este propósito, dados do Banco de Portugal, da OCDE e do FMI, e também a projecção para o défice orçamental. No último indicador, os sociais-democratas não comparam com 2015, mas com as previsões do Governo para este ano, que começou em 2,2%, a Comissão Europeia sobe para 2,8%, a OCDE para 2,9% e o FMI de 3%. Este é o balanço que o PSD faz da acção governativa. Não o escrevem, nem é preciso. A conclusão, para os sociais-democratas, é a de que o país está pior.

Antes, o primeiro-ministro tinha traçado um retrato bem diferente do país, quando abriu o debate no Parlamento. "No final de sete meses, a primeira palavra que marca este balanço é: cumprimos", disse Costa, elencando também uma lista das medidas adoptadas, como a reversão de cortes de rendimentos, das 35 horas da função pública, e das concessões de transportes.

O primeiro-ministro elogiou também a execução orçamental, realçando que “a própria Comissão Europeia reconhece (...) que está em linha com o previsto” e também citou o INE para frisar, por exemplo, que o saldo das administrações públicas do primeiro trimestre deste ano se reduziu em 5,5% face ao período homólogo, para -3,2% do PIB, o que corresponde ao défice orçamental do primeiro trimestre "mais baixo desde 2008”.