Rodrigo Duterte assume a Presidência das Filipinas

O novo Presidente filipino, empossado esta quinta-feira, e renovou promessas de combate ao crime e à corrupção.

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Rodrigo Duterte tomou posse como Presidente das Filipinas esta quinta-feira Presidential Palace/Handout via Reuters

No seu primeiro discurso como Presidente das Filipinas, o populista Rodrigo Duterte, eleito com a promessa de travar uma "guerra sangrenta" contra o crime, assumiu uma postura bem mais moderada e conciliadora, tanto a nível interno quanto no que diz respeito às disputas internacionais – sobretudo aquela que opõe Manila a Pequim, por questões de sobrerania do mar do Sul da China.

"Estou à espera de um desenlace justo e pacífico. Deus sabe que não quero ter um confronto com ninguém", disse o novo Presidente, referindo-se à decisão do Tribunal Arbitral de Haia sobre o processo interposto pelas Filipinas contra a China, que é esperada para 12 de Julho. De Pequim, também veio uma mensagem de abertura: segundo a agência oficial Xinhua, o Presidente Xi Jinping enviou uma mensagem de felicitações a Rodrigo Duterte na qual manifestava a sua disposição para "trabalhar para o melhoramento das relações entre os dois países”.

Duterte, que nos últimos 20 anos dirigiu a terceira maior cidade do país, Davao City, ganhou as eleições presidenciais de 9 de Maio com 38,6%, o que corresponde a 15,8 milhões de votos. Na cerimónia de posse, para um mandato de seis anos, dispensou a pompa e circunstância habituais: num evento mais despojado, reuniu-se da família e jurou defender a Constituição com uma mão na Bíblia, segurada pela filha mais nova.

A sua primeira intervenção retomou os principais temas da campanha: Duterte voltou a prometer uma luta “implacável” e “sustentada” contra a corrupção, a criminalidade e as drogas ilegais, assegurando porém àqueles que criticaram os seus métodos como "pouco ortodoxos e quase ilegais", que a sua bitola é o estrito respeito pela lei. "Como advogado e ex-procurador, sei quais são os limites do poder e da autoridade do Presidente. Sei o que é legal e o que não é. A minha aprovação do processo legal e do Estado de direito é intransigente”, declarou, para o aplauso das cerca de 600 pessoas presentes na cerimónia, de acordo com a Associated Press.

Mas nem todos estão tão seguros, e há quem veja no discurso do novo Presidente preocupantes semelhanças com a retórica de Ferdinand Marcos, que estabeleceu uma ditadura nas Filipinas. A Associated Press lembrou os receios da oposição de uma nova deriva autoritária no país, lembrando as polémicas declarações de Duterte – ameaças de mortes em massa e defesa de pena de morte – que preocuparam activistas pelos direitos humanos e a Igreja Católica. Logo após a votação presidencial, em Maio, a polícia lançou uma campanha anti-drogas em nome de Duterte, que causou a morte de vários suspeitos de tráfico de droga, em circunstâncias pouco claras, escreveu a agência.

Analistas ouvidos pela Reuters manifestaram preocupação com a possibilidade de o crescimento económico das Filipinas – que no ano passado registou o melhor desempenho do bloco do Sudeste asiático – poder estagnar nas mãos do novo Presidente

Duterte, o “Justiceiro”
Duterte, um candidato vindo do sul das Filipinas, prometeu lutar contra o crime organizado e a corrupção como fez na cidade de Davao, cuja câmara dirigiu durante 22 anos. O agora Presidente filipino é apelidado de “justiceiro”, defendendo a criação de esquadrões de morte. De acordo com a Reuters, citando organizações de defesa dos direitos humanos, pelo menos 1400 pessoas foram vítimas de execuções "extra-processuais" em Davao desde 1998, a maioria delas traficantes de droga, toxicodependentes, pequenos criminosos e crianças de rua.

A candidatura presidencial de Duterte, de 71 anos, foi desde o princípio um desafio ao establishment da política filipina, representado pelos outros candidatos e rejeitado pelo eleitorado do arquipélago, que demonstrou o seu descontentamento com a elite política. “Eu vejo a erosão da confiança do meu povo nos líderes do nosso país, a erosão na fé no nosso sistema judicial, a erosão da confiança na capacidade dos funcionários públicos tornarem as vidas das pessoas melhores, mais seguras e saudáveis”, observou o novo Presidente no seu discurso de tomada de posse.