Exames nacionais não terão surpresas este ano, garante Iave

Provas do secundário arrancam nesta quarta-feira com o exame de Português do 12.º ano, que é obrigatório para todos os alunos.

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Há 160 mil alunos inscritos para os exames do secundário Rui Gaudêncio

Provas idênticas às dos anos anteriores, níveis de dificuldade também semelhantes. Segundo o Instituto de Avaliação Educativa (Iave), serão assim os exames nacionais do 3.º ciclo e do secundário deste ano, que se estreiam nesta quarta-feira com a prova de Português do 12.º ano, para a qual se inscreveram 75.564 alunos.

Este exame é obrigatório para todos os alunos do último ano do secundário. Nesta quarta-feira realiza-se também o exame de Filosofia do 11.º ano, que conta com 15.859 inscritos. No ano passado foram 14.637.

Já os exames do 9.º ano estreiam-se no dia 17, também com a prova de Português. Como não é obrigatória a inscrição prévia neste nível de escolaridade, o número real de candidatos a exames só será conhecido na altura da sua realização. O Ministério da Educação estima que possam ser cerca de 99 mil.

“O princípio que rege a concepção dos exames é o da manutenção da estrutura, da dificuldade e da complexidade geral das provas”, respondeu ao PÚBLICO o presidente do Iave, Hélder de Sousa. Apesar deste postulado, já se registaram por várias vezes grandes oscilações das notas de ano para ano.

Foi, por exemplo, o caso de Português, cuja média de exame desceu de 10,1 em 2010 para 8,9 em 2011, uma média que se repetiu em 2013, mas que subiu para 11,6 no ano passado. Em 2011, quando se registou a pior média de sempre a Português, Hélder de Sousa atribuiu este desastre a um maior nível de exigência que se traduziu numa alteração da tipologia dos itens do grupo relativo à gramática, que deixaram a partir de então de ser de escolha múltipla. Esta mudança levou a uma quebra de sete pontos por comparação com o ano anterior.

Português foi precisamente uma das disciplinas em que o Iave procedeu a alterações nos critérios de classificação e nas pontuações dos itens de modo a garantir resultados mais equilibrados. O mesmo foi feito depois nos exames de Biologia e Geologia, Física e Química A e Matemática A. Já este ano não se registou “nenhuma intervenção especificamente focada numa dada disciplina”, garantiu o responsável do Iave.

No ano passado, o presidente do Iave, que é o organismo responsável pela elaboração e classificação de exames, admitiu, em entrevista ao PÚBLICO, que os resultados dos exames de Física e Química A, e também de Matemática A, “espelham porventura um nível de exigência desadequado”, começando a “desviar-se daquilo que é o reconhecido como adequado”, reconheceu.

Por essa razão, o Iave procedeu a um “afinamento” dos critérios de classificação e das pontuações atribuídas aos vários itens, que se traduziu numa subida das médias em 2015. A Matemática A, os alunos internos (os que frequentam as aulas até ao fim) tiveram uma média de 12, a mais alta dos últimos anos, e Física e Química subiu para terreno positivo com um resultado de 9,9 numa escala de 0 a 20.

Menos alunos a Matemática e Física

Mas esta evolução ainda não produziu os efeitos esperados, já que os alunos continuam a fugir destas duas disciplinas. Por comparação a 2015, há cerca de menos 2300 alunos inscritos no exame de Física (o seu número passou de 50.997 para 48.703) e uma quebra de perto de 1700 no caso de Matemática A (50.695 para 48.981). Apesar desta diminuição, continuam a figurar entre os quatro exames mais concorridos. Os outros dois são Biologia e Geologia do 11.º ano (51.958 inscritos) e Português do 12.º ano. Os resultados serão conhecidos a 13 de Julho.

Segundo as informações sobre os exames divulgadas pelo Iave, esta última prova terá entre quatro a dez itens de escolha múltipla (a Matemática A serão oito), sete a 12 de resposta curta e um de resposta extensa, que valerá um quarto do exame (50 pontos em 200).

À semelhança dos outros anos, os alunos só poderão utilizar caneta ou esferográfica de tinta azul ou preta, não sendo permitida a consulta de dicionários nem a utilização de corrector. No exame de Matemática A, marcado para 23 de Junho, o uso do lápis só será permitido nas construções que envolvam a utilização de material de desenho, devendo o resultado ser passado a tinta.

E só podem ser utilizadas calculadoras gráficas que sejam, em simultâneo, silenciosas, não necessitem de alimentação exterior, não tenham cálculo simétrico nem capacidade de comunicação à distância e não possuam meios de impressão. Estas são também as calculadoras autorizadas para o exame de Física e Química A, de 17 de Junho.

No caso do exame de Matemática do 9.º ano, marcado para dia 21, o uso da calculadora só será permitido durante a resolução do primeiro dos dois cadernos em que se dividirá a prova.