Presidente honorário do PS quer “reconstrução” do SNS

No encerramento do XXI Congresso do PS, António Arnaut revela que ficou “muito feliz com o convite, mas avisa que não desistir da sua “rebeldia criadora”.

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Nuno Ferreira Santos

O presidente honorário do PS, António Arnaut, disse este domingo, em Lisboa, que é preciso “reconstruir o Serviço Nacional de Saúde (SNS) que é a pedra basilar do Estado social”.

“É preciso reconstruir o Serviço Nacional de Saúde e é preciso que o partido esteja envolvido, comprometido com a reconstrução do Serviço Nacional de Saúde”, declarou o fundador do PS na intervenção que fez na sessão de encerramento do XXI Congresso do PS em Lisboa.

António Arnaut, que é considerado o pai do SNS, levantou por várias vezes o congresso do PS, quando aplaudiu num sinal de gratidão pela sua dedicação ao partido ao qual pertence há quase 50 anos e pelo seu papel na defesa do SNS.

Partilhou depois da “honra” que sentiu quando o secretário-geral, António Costa, lhe telefonou a convidá-lo para ser o novo presidente honorário do PS. “Fiquei muito feliz com o convite. Não sabem a honra que senti “ na altura, disse, revelando depois o que é que os dois acordaram. “Pedi ao António Costa para ele me dar um ano de vida e ele disse-me um ano não, pelo menos dois”. O congresso rejubilou e voltou a levantar-se depois de o ouvir dizer: “Desculpem a franqueza, mereço [a distinção]”

Avisando, embora, que não vai “abdicar da sua rebeldia criadora” o advogado de Coimbra pediu uma saudação especial para Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril e aproveitou para dizer que “se não fosse o 25 de Abril, nos estaríamos aqui, mas não seríamos o mesmo Portugal. Não teríamos construído o Estado social”.

Dirigindo-se ao ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, presente na primeira fila do congresso, afirmou: “É preciso reconstruir o Serviço Nacional de Saúde”. O ministro respondeu com uma salva de palmas.

O agora presidente honorário do PS, que sucede a Almeida Santos, apelou à união dos socialistas na reconstrução do SNS e aproveitou para falar dos princípios da liberdade, da igualdade e da solidariedade. “A solidariedade é a defesa da justiça social e da redistribuição de riqueza”. Aplaudido de pé, António Arnaut não deixou de saudar o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Elogiou-lhe a “forma como tem exercido o seu alto mandato, a sua alta magistratura” e também – disse – “pela forma como nos tem garantido que saberá cumprir a Constituição e defender o Estado social”.  

Visivelmente feliz, o presidente honorário do PS, que não deixou de elogiar também o secretário-geral dos socialistas, declarou: “Vamos trabalhar, vamos pela esquerda, que é o lado do nosso coração”.

No encerramento dos trabalhos da reunião magna, António Costa elogiou o novo presidente honorário do partido, dizendo que “é o exemplo do melhor que o PS realizou no Governo” e enalteceu-lhe “o espírito livre e o sentido crítico”. E sublinhou que o António Arnaut “irá dar os puxões de orelhas necessários”.