Quatro anos depois, para onde vão os ex-autarcas?

Alguns dinossauros não se afastam do município, outros trocam de concelho sem problemas. Deixar o habitat da política é que é mais difícil.

Impedidos por lei de concorrerem à Câmara Municipal a que presidiram durante anos, alguns desde 1976, viram a sua vida mudar nas eleições de 2013. Foi a primeira vez que os “dinossauros autárquicos”, como alguns ficaram conhecidos por serem presidentes há muito tempo, tiveram de se sentar na cadeira do lado. E cadeira do lado aqui significa que alguns foram mesmo para a vizinhança, que é como quem diz, mudaram-se de armas e bagagens para concelhos próximos, já que nos seus não podiam continuar o trabalho. Outros abandonaram a vida política e houve outros que seguiram para a Assembleia da República. Passados quatros anos da nova vida, querem voltar?

Há respostas para todos os gostos.

Fernando Costa

Impedido de se candidatar às Caldas da Rainha em 2013 acabou por entrar na corrida em Loures contra o comunista Bernardino Soares. A derrota nas urnas ditou uma aliança inédita no país, com o PSD a entrar para o executivo liderado pela CDU, garantindo assim uma maioria. Agora, quer ajudar de novo o partido e quer ser candidato “em Loures ou noutro concelho”, diz ao PÚBLICO. Só põe uma condição: pode ser candidato onde o partido entender, desde que esse concelho não seja liderado por um social-democrata, o mesmo que aconteceu nas anteriores. Voltar às Caldas? “Só para evitar uma derrota ou em caso de falência, que espero que não aconteça”.  

Mesquita Machado

O histórico presidente da Câmara de Braga esteve à frente da autarquia por nove mandatos o que lhe deu a alcunha de “dinossauro autárquico”. Era aliás dos mais antigos do país. Ganhou a Câmara Municipal de Braga nas primeiras eleições livres (1976) e só saiu quando foi impedido por lei nas últimas eleições (2013). A câmara foi ganha pelo PSD, com a lista encabeçada por Ricardo Rio. Para já, os socialistas apenas avaliam as hipóteses e o nome de Mesquita Machado foi colocado numa sondagem a correr pelos bracarenses. Mas Mesquita Machado descarta. Primeiro diz que a sondagem não é dos socialistas e depois põe de lado a hipótese de uma candidatura: “Nem sequer ponderei. Não está nos meus horizontes até porque já dei a Braga uma grande parte da minha vida”.

Mário de Almeida

Sem sombra para dúvidas. Mário de Almeida esteve à frente do município de Vila do Conde durante quase quatro décadas e agora não pensa em voltar. Nas eleições de 2013 cedeu o lugar a Maria Elisa Ferraz, que venceu as eleições mas que perdeu muitos dos votos das autárquicas de 2009. Quatro anos passados, Mário de Almeida diz que não quer sequer pensar em voltar: “Fora de hipótese. Estive lá quarenta anos já chega”, responde ao PÚBLICO

Há outros casos de autarcas que deixaram rasto e que estão agora noutras funções. Fernando Ruas, histórico autarca de Viseu, rumou ao Parlamento Europeu. Joaquim Raposo, presidente da Câmara da Amadora durante quatro mandatos, é agora deputado à Assembleia da República. O mesmo acontece com Joaquim Barreto, ex-presidente da Câmara de Cabeceiras de Basto (PS). O ex-autarca e actual deputado diz ao PÚBLICO que quer continuar a ser deputado na Assembleia da República. “Não está nos meus horizontes ser candidato a presidente de câmara”.