Facebook promete melhorar selecção dos seus "temas populares"

A maior rede social do mundo foi acusada de escolher e filtrar conteúdos ligados à ala conservadora da política norte-americana. A empresa negou as acusações.

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Empresa foi acusada de esconder temas de índole conservador JUSTIN SULLIVAN/AFP

O Facebook vai mudar a forma como gere os temas mais populares do dia. A decisão chega depois de a empresa ter sido acusada de manipular os assuntos trending, decidindo o que é popular ou não, com base em preferências políticas. Os trending topics (temas populares) surgem separados dos restantes conteúdos no feed de notícias e é a eles que muitos utilizadores recorrem para seguir os principais assuntos do dia. A rede social de Mark Zuckerberg nega as acusações, mas admite mudanças. Os critérios que pesam na definição daquilo que é ou não um assunto trending vão deixar de ter em conta sites de notícias e de reflectir a avaliação dos utilizadores da rede social.

“Oprimir conteúdo político ou prevenir pessoas de ver o que mais lhe interesse é o oposto da nossa missão e dos nossos objectivos de negócio”, destaca a empresa de Mark Zuckerberg. “É importante que o Facebook continue a ser uma plataforma para todas as ideias”, pode ler-se no comunicado emitido esta segunda-feira.

As primeiras acusações chegaram através de um artigo publicado pelo blogue Gizmodo. As declarações de um antigo colaborador do Facebook afirmavam que as decisões do que deve ou não ser o mais visto pelos utilizadores da rede social afastavam, deliberadamente, os conservadores dos assuntos mais populares do dia. Depois de o assunto se tornar público, o senador norte-americano e presidente do Comité de Comércio do Senado, John Thune, escreveu uma carta a exigir maior transparência no processo de selecção destes conteúdos. O Facebook avançou com uma investigação.

A 18 de Maio, o criador do Facebook reuniu-se com “uma dúzia de políticos conservadores” e reforçou que “Sillicon Valley tem a reputação de ser liberal, mas que a comunidade do Facebook inclui mais de 1,6 mil milhões de utilizadores, de todas as ideologias – de liberais a conservadores, e todas as restantes entre elas”.

Zuckerberg sustentou ainda a sua argumentação recorrendo ao exemplo de Donald Trump: o polémico candidato republicano tem mais seguidores no Facebook do que qualquer outro candidato presidencial.

No comunicado publicado no início desta semana, o Facebook afirma “não ter encontrado provas de um viés político sistemático nas histórias incluídas nos assuntos trending”. “A nossa análise de dados indica que tanto os tópicos conservadores como os liberais são aprovados com taxas virtualmente idênticas”, garante o Facebook, que recusa ainda “alegações específicas de opressão de assuntos ou fontes particulares com base em motivações políticas”.

Não obstante, a empresa reconhece que pode existir margem para “acções isoladas impróprias, sem intenção”. Por isso, o Facebook irá “clarificar a terminologia nos guias”, bem como apostar na formação de “todos os revisores [dos temas populares] para sublinhar que as decisões não se podem basear em políticas ou ideologias” e introduziu “controlos adicionais e reforço da supervisão na equipa de revisão”.

Para conseguir “repor a confiança perdida” nesta funcionalidade, o Facebook anunciou que vai deixar de considerar as listas elaboradas por sites externos para “validar ou avaliar a importância dos temas”. Além disso, irá ainda aumentar o conteúdo sobre o tema no Centro de Ajuda, que explicará mais sobre esta opção e como funciona.