Venezuela vai mudar fuso horário para poupar energia

Presidente Nicolás Maduro anuncia medidas de emergência para enfrentar crise energética provocada por grave seca no país.

Presidente Nicolás Maduro anunciou medidas para responder à crise de energia
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Presidente Nicolás Maduro anunciou medidas para responder à crise de energia REUTERS/Marco Bello

No próximo dia 1 de Maio, os relógios vão mudar a hora na Venezuela, anunciou o Presidente Nicolás Maduro, que justificou a decisão com a necessidade de poupar energia. “É uma medida sensata e que nos permitirá uma poupança significativa”, explicou o Presidente, que “nos próximos dias” avançará outras medidas de emergência para fazer frente à grave crise energética que o país atravessa.

A crise aprofundou-se nos últimos meses, em resultado da situação de grave seca provocada pelo fenómeno meteorológico El Niño: a falta de chuva fez cair dramaticamente o nível de água na barragem de El Guri, a principal hidroeléctrica do país, responsável por 70% da geração de electricidade do país.

“Estamos a defender a represa de El Guri, todos os dias, todas as horas. Não quero dramatizar, nunca fiz nem nunca farei isso, mas preciso da ajuda de todas as famílias da Venezuela”, declarou Nicolás Maduro, que segundo os jornais poderá impor o racionamento do consumo eléctrico.

Por enquanto, o Presidente só pediu aos venezuelanos que procurem moderar o seu consumo de electricidade. “Temos de nos adaptar, para que as mudanças climáticas afectem o menos possível a qualidade de vida e a felicidade do nosso povo, e para enfrentar este fenómeno de seca que é quase uma tragédia ambiental”, afirmou.

No início do mês, o Governo de Maduro já tinha dado a sexta-feira de “folga” aos funcionários públicos até ao fim de Maio uma iniciativa que descreveu como uma “contribuição adicional para a poupança de electricidade” e poderá ser prolongada no tempo. Aproveitando o feriado da próxima terça-feira 19 de Março, dia da independência do país, o Presidente decretou que na segunda-feira 18 não haverá jornada laboral para todos os trabalhadores do país – um “feriadão” para poupar energia.

Outra medida que Maduro já avançou passa pela aplicação de sanções aos centros comerciais que não respeitem a ordem de gerar a sua própria energia durante pelo menos nove horas do dia. Para já, identificou quinze casos de incumprimento: “Temos de tomar uma medida drástica de racionamento sobre 15 shoppings do país que não estão a cumprir a ordem”, informou.

Enquanto o Presidente responsabiliza o El Niño e as alterações climáticas pela crise energética, a oposição atira as culpas para o Governo, que segundo acusa, não só não soube investir no sector energético em função do aumento da procura, como deixou a infraestrutura do país deteriorar-se ao ponto de se tornar ineficaz.

A mudança da hora não é uma decisão inédita na Venezuela: o ex-Presidente Hugo Chávez fê-lo em 2007, para “ajustar” a jornada escolar e laboral ao horário do nascer e do pôr-do-sol, e evitar que “os miúdos se levantem na escuridão e vão para a escola ainda com o biberão na boca”. Nessa altura, o país atrasou o relógio em meia-hora, passando a ter um fuso horário único no mundo de -4.30GMT (quatro horas e meia atrás do fuso do meridiano de Greenwhich).

Agora, especula-se que a Venezuela regresse ao fuso -4.00GMT – Maduro não informou ainda qual será a nova hora do país, mas vários especialistas do sector energético argumentaram que se anoitecer mais tarde, será possível poupar uma média de 300 megawatts por dia.

O Presidente garantiu que uma subida das tarifas eléctricas estava, por enquanto, fora de questão. Lembrando que a electricidade na Venezuela é “praticamente de graça”, Maduro reconheceu que “chegará o momento” em que o aumento será inevitável. “Mas o momento ainda não chegou”, disse.