Saída do PMDB do governo põe Dilma mais perto do impeachment

Partido liderado pelo vice-presidente Michel Temer passa para a oposição.

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Os peemedebistas aprovaram a moção de saída do Governo sob aplausos Gregg Newton/Reuters
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Dilma e Temer, quando ainda eram aliados Adriano Machado/REUTERS

Três minutos foi o tempo que o maior partido no Congresso brasileiro levou para romper oficialmente com o Governo de Dilma Rousseff, esta terça-feira à tarde. Num clima de euforia, e com gritos de “Fora PT!”,  a reunião da direcção nacional do PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) em Brasília teve o desfecho que se tornou previsível no fim-de-semana: aquele que era até agora o principal aliado do PT (Partido dos Trabalhadores) na coligação que governa o país vai passar à oposição, o que aumenta a probabilidade de a Presidente Dilma Rousseff ser afastada no processo de impeachment (destituição) em curso contra ela no Congresso.

Mais de cem membros da direcção nacional do PMDB aprovaram por voz e sob aplausos uma moção defendendo a saída imediata do Governo e exigindo que os peemedebistas (como são designados os membros do partido) com cargos no Governo os entreguem, sob pena de enfrentarem sanções do partido. O PMDB tinha até recentemente sete ministros no Executivo, mas o “desembarque” começou ainda antes da reunião da direcção do partido, com a demissão do ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, do PMDB, na segunda-feira. “Ninguém está autorizado a exercer qualquer cargo no Governo federal em nome do PMDB”, anunciou no final da reunião o vice-presidente do PMDB, o senador Romero Jucá.

Contudo, o vice-presidente de Dilma, Michel Temer, que é também o presidente do PMDB, irá manter o seu cargo. O argumento do partido é que ele foi eleito nas presidenciais de Outubro de 2014. “O vice-presidente é eleito pela nação", disse Eliseu Padilha, ex-ministro de Dilma, sobre a permanência de Michel Temer na vice-presidência mesmo depois de o seu partido deixar o Governo.

Mas Temer é também o substituto imediato de Dilma em caso de impeachment, o que poderá acontecer entre Abril e Maio. Se a destituição for aprovada por dois terços da Câmara dos Deputados, seguirá para o Senado e, se for aprovada aí, Dilma será afastada da Presidência por 180 dias enquanto o julgamento decorre. Temer assume o cargo. Temer não compareceu na reunião da direcção do seu partido.

A decisão culmina uma semana de manobras de bastidores, negociações e retaliações, de um lado e do outro. Tanto o PMDB, que está com os olhos postos num governo pós-impeachment, quanto o Palácio do Planalto passaram os últimos dias tentando arregimentar apoios em troca da promessa de cargos. Alguns ministros do PMDB (como Kátia Abreu, ministra da Agricultura) manifestaram posições contrárias à do seu partido, criticando a forma como o impeachment está a ser conduzido. Com 69 deputados, o PMDB é o partido com maior representação parlamentar. A sua saída do Governo fragiliza ainda mais a base de apoio de Dilma, que precisa de pelo menos de 171 votos na Câmara dos Deputados para travar o impeachment e que está longe de atingir esse patamar. As últimas estimativas atribuíam-lhe entre 100 e 130 votos.

Segundo a Globonews, citando assessores do Planalto, Dilma pondera cancelar uma viagem oficial aos EUA, marcada para esta quarta-feira, até porque na sua ausência do país, quem assume o cargo é o vice-presidente Michel Temer. Na segunda-feira, o líder do governo no Senado, Humberto Costa, do PT, fez um ultimato: Temer “será o próximo a cair” se o impeachment for aprovado.