Ajudou o Irão a vender petróleo no tempo das sanções e foi condenado à morte

Babak Zanjani, que começou a actividade de empresário a vender ovelhas e enriqueceu no tempo de Ahmadinejad, diz estar inocente e vai recorrer da sentença.

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Babak Zanjani foi considerado culpado de "espalhar a corrupção na terra" MEGHDAD MADADI/AFP

A Justiça iraniana condenou à morte Babak Zanjani, que era um dos homens mais ricos do país e que foi considerado culpado de um dos crimes mais graves, "espalhar a corrupção na terra". Por outras palavras, cometeu fraude e vários crimes económicos, o maior deles o roubo de quase três mil milhões de dólares da República Islâmica, segundo o Governo de Teerão.

A ascenção e queda do multimilionário de 42 anos estão ligadas a negócios ilícitos com o petróleo, nos anos em que o Irão estave proibido de vender crude devido às sanções aplicadas por causa do seu programa nuclear - as sanções foram entretanto levantadas e os primeiros navios com petróleo iraniano comercializado legalmente já estão a chegar a refinarias europeias.

O empresário que nasceu em Teerão há 42 anos e começou a sua actividade como comerciante de ovelhas, negou as acusações, mas reconheceu que, desde 2010, usava uma rede de empresas na Turquia, Malásia e Emirados Árabes Unidos para vender milhões de barris de petróleo em nome do Governo. Em 2010, o Presidente era Mahmoud Ahmadinejad.

Pouco depos de Ahmadinejad, que representava uma facção que defendia que o Irão devia manter um braço de ferro com o resto do mundo, ter saído do cargo, sendo substituído pelo moderado Hassan Rouhani, Babak Zanjani foi preso, em Dezembro de 2013.

Rouhani alterou radicalmente a política externa do Irão, assim como a abordagem às negociações sobre o nuclear. Chegou a acordo com o Ocidente e voltou a pôr o país no mapa das relações internacionais políticas e comerciais. Internamente, abriu uma guerra contra a “corrupção financeira” e as "figuras privilegiadas” que “tiraram partido das sanções económicas”, explica a BBC.

Ostensivo na sua riqueza, Zanjani chegou a dizer que valia 13,5 mil milhões de dólares e, antes de ser detido, tinha admitido publicamente que as sanções internacionais estavam a impedi-lo de devolver ao Governo mais de 1,2 milhões de dólares provenientes da venda de petróleo. O seu nome foi inscrito na lista negra de empresários e empresas que viram as contas bancárias e bens serem congelados, por decisão dos Estados Unidos e da União Europeia.

Durante o julgamento, a acusação disse que o empresário não devolveu ao Governo 2,7 mil milhões de dólares e fez saber que os 13,5 mil milhões de que Zanjani falava dizem respeito à sua dívida, não à sua fortuna.

A defesa negou as acusações e anunciou que o multimilionário que ajudou Ahmadinejad a escoar o petróleo que o Irão não podia vender vai recorrer da sentença.