Ulrich lamenta que o poder político não se insurja contra os 12,2% de desemprego

Presidente do BPI diz que há "tolerância excessiva" em relação ao desemprego.

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Ricardo Brito

O presidente do BPI, Fernando Ulrich, elogiou o facto de António Costa estar a governar com moderação, mas afirma que, se o PCP e o BE começarem a governar por intermédio do PS, então teremos um problema, nomeadamente de aumento do desemprego, que constitui hoje o principal desequilíbrio da economia.

“Existe uma tolerância excessiva da sociedade portuguesa em relação ao problema do desemprego”, um dos principais desequilíbrios da economia nacional, defendeu esta terça-feira Fernando Ulrich, um dos oradores de uma conferência sobre o “Orçamento do Estado para 2016: Fiscalidade e Economia”, promovida pelo escritório de advocacia Vieira de Almeida & Associados.

O presidente do BPI classificou o desemprego como um “problema colectivo” e desafiou o poder político a eleger o tema “como prioridade”. Para Ulrich o nível de desemprego do país, de 12,2% [número do final de 2015], constitui mesmo o grande obstáculo “à criação de riqueza”, pelo que lamenta que a sociedade portuguesa “esteja confortável” e “não se insurja”. “Acima de nós só a Espanha e a Grécia têm valores mais elevados”, referiu.

O banqueiro reconhece, no entanto, que para este desinteresse pode estar o facto “de muitos desempregados não terem voz, e desenrascam-se, ou foram forçados a emigrar”.

Sobre a acção do actual primeiro-ministro, António Costa, o banqueiro considera que tem sido equilibrada e mostra-se confortável com os pressupostos do OE de 2016. E opinou: “Ou o Governo governa ao centro, [como aparentemente tem feito, e terá condições para resolver os problemas da economia portuguesa (e do desemprego), ou] o PCP e o BE governam [por intermédio do PS] e teremos no futuro um problema, com mais desemprego.”

O encontro foi aberto por Vasco Vieira de Almeida e na plateia estiveram sobretudo advogados da área dos negócios, gestores e quadros da regulação, nomeadamente, do mercado de capitais.