Twitter parou de crescer no final de 2015

É a primeira vez que o número de utilizadores estagna. Receitas subiram 58%.

As acções caíram 34% desde o início do ano
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As acções caíram 34% desde o início do ano Dado Ruvic/Reuters

O Twitter – a rede social que em tempos competiu com o Facebook e que mais recentemente tem recebido atestados de óbito por parte dos próprios utilizadores – tinha 320 milhões de utilizadores activos mensais no último trimestre de 2015. É o mesmo valor registado nos três meses anteriores e a primeira vez que a empresa comunica uma estagnação.

Os números são piores quando se excluem as pessoas que optam por seguir utilizadores via SMS, sem se registarem no site. Esta é uma funcionalidade que está disponível apenas nos EUA e, se não for contabilizada, reduz para 305 milhões os utilizadores activos mensais no último trimestre, menos dois milhões do que no período imediatamente anterior.

Porém, a rede social, que apresentou nesta quarta-feira resultados financeiros anuais, afirma, na carta aos accionistas, que o arranque de 2016 apresenta uma tendência de crescimento: “Assistimos a uma descida na utilização activa mensal no quarto trimestre, mas já estamos a ver os utilizadores mensais activos em Janeiro a regressar aos níveis do terceiro trimestre.”

As receitas tiveram um comportamento mais animador para a empresa, ao disparar 58%, para 2218 milhões de dólares (1950 milhões de euros). Mas o Twitter continua a dar prejuízo: 521 milhões de dólares de perdas em 2015, um desempenho melhor do que os 578 milhões de 2014.

Os resultados foram divulgados no mesmo dia em que o Twitter anunciou uma novidade para tentar resolver velhos problemas: aumentar o tempo de interacção com a plataforma e tornar o serviço mais apetecível para novos utilizadores, sem afastar os que já lá estão. A nova funcionalidade permite aos utilizadores terem a uma selecção de mensagens no topo da cronologia, seleccionadas organizada por um algoritmo, com base no que este considera ser relevante para cada pessoa, em vez de simplesmente serem listados os últimos conteúdos publicados, por ordem cronológica. As mensagens consideradas importantes, ressalvou a rede social, continuarão a ser recentes e ordenadas cronologicamente.

A abordagem é um passo  na direcção do que o Facebook faz, mas o Twitter não arriscou fazer com que este novo comportamento seja o funcionamento padrão – em vez disso, os utilizadores terão de activar a funcionalidade nas configurações. Nos últimos dias, quando começou a ser noticiada a mudança, tornou-se popular a hashtag #RIPTwitter, usada por muitos como um protesto pelo que era descrito como uma deturpação da natureza da rede social (as hashtags servem para agrupar mensagens sobre o mesmo tema e, frequentemente, são usadas como uma forma particular de comentário).

O Twitter tem vivido tempos conturbados nos meses recentes, depois de o fundador Jack Dorsey ter regressado para assumir o cargo de presidente executivo e a tarefa de fomentar o crescimento. No final de Janeiro, quatro vice-presidentes deixaram os cargos.

Com as dificuldades de crescimento e os solavancos na equipa de gestão, as acções da empresa têm estado em queda. Nesta quarta-feira, e ainda antes de os resultados serem conhecidos, a cotação na Bolsa de Nova Iorque fechou a subir 4%, para os 14,98 dólares. Desde o início do ano, as acções caíram 34%.

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