Almonty comprou Minas da Panasqueira por um euro

Governo ainda não foi formalmente notificado desta alteração de propriedade.

As minas da panasqueira já se associaram, com outras, a este projecto de valorização turistica
Foto
Fundo para os Recursos Geológicos terá cerca de 22 milhões de euros de dotação Daniel Rocha/Arquivo

A multinacional canadiana Almonty já comunicou ao mercado de Toronto que é a nova proprietária das Minas da Panasqueira, na Covilhã, distrito de Castelo Branco, adiantando ter pago à Sojitz em Portugal o montante de um euro. Além disso, assumiu no mercado de dívida um montante superior a 12 milhões de euros que estavam na posse da casa mãe, o conglomerado japonês Sojitz Beralt Tin & Wolfram.

No comunicado enviado ao mercado, o presidente da Almonty, Lewis Black, refere a satisfação de ter conseguido concretizar a compra deste activo “que é tão bem conhecido da empresa” (recorde-se que foi a Almonty quem vendeu a Panasqueira à Sojitz em 2008, depois de a ter explorado durante escassos três anos), e sublinhou o seu interesse estratégico no objectivo de ser o maior produtor de tungsténio fora da China.

“Esta aquisição sustenta o nosso objectivo de nos tornarmos o maior produtor mundial de concentrado de tungsténio fora da China, com activos localizados em jurisdições seguras e amigáveis da exploração mineira, e que acrescentam reservas significativas aos nossos recursos, bem como aprofundam o nosso conhecimento no sector, com equipas de topo na área mineira e metalúrgica”, assina Lewis Black no já referido comunicado.

Ao que o PÚBLICO apurou, o Governo tem já conhecimento da situação, mas por enquanto ainda não faz qualquer comentário, aguardando a formalização das intenções do novo proprietário. A expectativa que existe é que a Almonty possa não só manter o contingente de 320 trabalhadores, como, até, aumentá-lo. 

Uma expectativa que se estende aos próprios trabalhadores, como confirmou ao PÚBLICO, Luís Paulo Mendes, delegado sindical nas Minas da Panasqueira. “Se a Almonty entendeu regressar à Panasqueira, depois de cá ter estado três anos, é porque sabe que as minas têm valor, e há trabalho para fazer”, argumentou.

Na próxima semana, altura em que se reunirem com a nova administração, esperam ouvir isso mesmo dos novos proprietários. "Neste momento não temos nenhuma informação sobre quem vai ficar a dirigir as Minas", afirmou.