Do passado ao futuro: o Museu de Leiria já tem casa definitiva

Depois de 97 anos de itinerância, o museu fixa-se. A inauguração é uma das bases da apresentação da candidatura a cidade europeia da cultura em 2027.

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Um dos projectos da câmara é a construção de ascensores até ao castelo Dulce Fernandes

O Museu de Leiria vai abrir portas este domingo – 97 anos após a sua criação – na sequência de um investimento de 2,8 milhões de euros que permitiram a sua instalação no Convento de Santo Agostinho, agora restaurado. Do total do investimento, cerca de 85% foi conseguido através de fundos comunitários. O museu “é o primeiro passo” para a candidatura da cidade de Leiria a capital europeia da cultura em 2027, de acordo com Gonçalo Lopes, vereador da cultura da Câmara de Leiria.

“O museu tem uma história muito antiga”, revela o vereador, face aos 97 anos em que o museu de reserva esteve alojado separada e provisoriamente em vários espaços da cidade. “Agora, termina a itinerância e é com grande orgulho que apresentamos esta casa definitiva”, afirma Gonçalo Lopes, considerando que o Convento de Santo Agostinho é “o local ideal”. O convento estava ao abandono e as obras que a câmara tem feito, permitidas pelo acordo de superfície sobre o espaço, permitem agora que a exposição seja feita “com as condições necessárias”.

Organizado de uma forma cronológica, o museu conta a história da cidade. Existe uma exposição permanente e ainda uma sala de exposições temporárias que recebe, no início, um trabalho sobre os cinco mil anos de ocupação do morro em que se encontra o castelo de Leiria. O museu dispõe ainda de um laboratório de conservação e restauro, centro de documentação, núcleo de investigação, serviço educativo, sala polivalente e zona de reservas.

Para além das origens, há uma parte dedicada à vertente moderna de Leiria com artistas da actualidade e existe também uma ligação ao futuro. O vereador explica que o lema deste novo espaço e um dos seus objectivos é que seja “mais do que um museu”.

Em destaque nas exposições estão as relíquias arqueológicas de Leria: os fósseis de Guimarota (fósseis de mamíferos primitivos com 150 milhões de anos), referência da paleontologia mundial e o Menino do Lapedo (fóssil de uma criança do Paleolítico Superior Inicial encontrado no Vale do Lapedo, em Leiria, em 1998), importante no estudo da evolução humana.

A vida da cidade é apresentada ao pormenor, desde a construção do castelo à cidade romana de Collipo, ao pinhal de Leiria e até à percepção de Leiria como cidade-diocese, havendo forte ligação à arte sacra. Existe um grande espólio de arqueologia, escultura e de colecções de pintura antiga e contemporânea.

Capital europeia da cultura?
O Museu de Leiria “é o pontapé de saída para a apresentação da candidatura de Leiria a capital europeia da cultura, explica o vereador, adiantando que a candidatura será preparada e deverá ser apresentada dentro de um ou dois anos. Está previsto que em 2027 seja escolhida uma cidade portuguesa, daí que, para além de Leiria, também Faro e Ponta Delgada pretendam apresentar as suas candidaturas.

Gonçalo Lopes considera que Leiria “tem uma presença cultural muito forte”: para além da cidade, existe Fátima que é o “altar do mundo” e uma das grandes referências mundiais do turismo religioso; há o Mosteiro da Batalha, reconhecido pela UNESCO; e existe uma vasta rede de castelos nos concelhos vizinhos. O vereador afirma que as grandes apostas da cidade são “a diversidade e a exclusividade”.

No âmbito da candidatura, o castelo de Leiria será “objecto de intervenções que pretendem valorizar a visita e melhorar a acessibilidade”, o que em princípio será feito através da instalação de ascensores de acesso ao castelo.

“Temos capacidade para orgulhar a cidade e o próprio país”, afiança Gonçalo Lopes, explicando que o principal factor para esta candidatura é “o reconhecimento de que a cultura e o património são chaves fundamentais para o desenvolvimento regional”. 

Texto editado por Ana Fernandes