PS aprova por esmagadora maioria programa de Governo apoiado pela esquerda

Documento apresentado por António Costa recebeu apenas sete votos contra na Comissão Nacional.

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António Costa com razões para sorrir Nuno Ferreira Santos

Com 163 votos a favor, sete contra e duas abstenções, a proposta de programa de Governo do Partido Socialista foi aprovada neste sábado na Comissão Nacional do PS, o órgão máximo do partido entre congressos.

O documento apresentado por António Costa já inclui mais de 70 medidas negociadas com o PCP, BE e Os Verdes.

Apesar da oposição pública de vários militantes, uma corrente liderada por Francisco Assis, na hora da votação essa oposição traduziu-se apenas em sete votos contra e duas abstenções.

Depois deste primeiro passo, o documento será no domingo discutido na Comissão Política Nacional do PS.

À saída da reunião da Comissão Nacional, António Costa mostrou-se satisfeito pela votação e confirmou que já há um acordo político com os Verdes. Falta agora apenas fechar, ao nível político, o entendimento com o PCP.

O líder socialista viu "com satisfação” esta votação, “já que significa que há uma unidade muito grande no PS em torno da solução que está a ser construída".

"Isso, em si, é um factor muito positivo, porque esta solução de formação de um Governo exige estabilidade e requer que exista num horizonte de uma legislatura. Nestas circunstâncias, esta solução precisa naturalmente de um apoio muito claro do PS. Acho que na Comissão Nacional do PS houve um debate muito enriquecedor", afirmou António Costa, no final da reunião.

Segundo informação de uma fonte partidária à Lusa, houve 36 intervenções na discussão, além do secretário-geral, das quais oito pronunciaram-se contra a orientação do líder.

Após a reunião deste sábado, a Comissão Nacional do PS emitiu comunicado, em que se “congratula pelos resultados já alcançados até ao momento nas negociações com o BE, o PCP e o PEV”.

“O PS está confiante de que BE, PCP e PEV darão consequência às posições publicamente assumidas sobre a existência de condições para a formação de um novo Governo com suporte parlamentar maioritário, estável e duradouro", afirma-se no documento.

Segundo o texto aprovado, "só assim se dará plena conclusão a um processo de diálogo e negociação que todos os partidos conduziram com boa-fé, lealdade e empenho, com o objectivo de garantir a melhoria da condição de vida dos portugueses".

O comunicado explicita que "foi possível chegar a um acordo" com bloquistas, comunistas e ecologistas "em torno de medidas" como "salários, incluindo salário mínimo e pensões", "emprego e luta contra a precariedade", "fiscalidade directa e indirecta", "condições laborais na administração pública", "melhoria dos serviços públicos de saúde, educação e ensino superior", "sustentabilidade da segurança social" e "concessões e privatizações".

O PS reúne ainda domingo a sua Comissão Política, pelas 21h30, na sede nacional do largo do Rato. O PCP também terá o seu Comité Central reunido durante o dia, no edifício da rua Soeiro Pereira Gomes, e o secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa, dará uma conferência de imprensa pelas 19h. com Lusa