Parece que no Twitter há um #golpedeEstado em Portugal

Começou com um comentário político e está a acabar em delírio, o movimento gerado em torno da hashtag #PortugalCoup.

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No Twitter, o historiador José Pacheco Pereira é um dos supostos líderes de uma revolução em curso DR

Começou como um assunto sério, continuou como uma brincadeira e está a entrar na fase do delírio, o movimento que se gerou a partir da hashtag #PortugalCoup (golpe de Estado em Portugal), no Twitter, que na manhã deste domingo aparecia indicada naquela rede social como um dos três primeiros “assuntos do momento” para quem está em Portugal. Entre a imagem de tanques (de lavar a roupa) e do povo (benfiquista) que saiu às ruas, ainda pode haver quem se pergunte se afinal está em curso, ou não, um golpe de Estado no país.

Aparentemente, a hashtag #PortugalCoup foi criada por uma pessoa que comentava um artigo de opinião do editor do Daily Telegraph, Ambrose Evans-Pritchard, que, na sequência da intervenção de Cavaco Silva, esta semana, considerou que “Portugal entrou em águas políticas perigosas”, ao frisar que “pela primeira vez, desde a criação da união monetária europeia, um Estado-membro tomou a iniciativa explícita de proibir os partidos eurocépticos” de formarem governo.

Às 10h48 de sexta-feira, um italiano, Francesco Lari, fez um tweet com um link para aquele artigo, ironizado que a União Europeia declarara a suspensão da democracia em Portugal e que eles, os portugueses, teriam de continuar a votar até que o resultado fosse o pretendido. No seu comentário, a palavra Portugal aparece como #PortugalCoup — golpe de Estado em Portugal. Foi aqui que tudo começou. Os tweets seguintes com a mesma hashtag parecem referir-se ao “Coup” no mesmo sentido figurativo, mas rapidamente se instala a confusão.

“Gente boa de Portugal, que a força esteja convosco”, incentiva um cidadão grego, enquanto outros, de várias partes do mundo, protestam por os órgãos de comunicação social se recusarem a divulgar o que se está a passar no país. “Nada na BBC nem nos jornais de domingo sobre o golpe de Estado em Portugal. Eles são os nossos mais antigos aliados, por amor de Deus”, zanga-se Daniel Hannan.

Somando aqueles que acreditaram que, de facto, houvera um golpe de Estado em Portugal aos portugueses que aproveitaram para debater a política nacional e aos que não perderam a oportunidade para brincar com a situação, o tema foi ganhando força. Principalmente, nas últimas horas, graças aos que acordaram bem-humorados nesta manhã de domingo. Imagens de manifestações em frente à Assembleia da República e até de uma multidão de benfiquistas a festejar o título mostram como o povo saiu à rua e uma fotografia da congestionada saída de Lisboa  ilustra a alegada fuga das pessoas de direita depois da tomada da capital pelos comunistas.

Um dos principais promotores da brincadeira, Pedro Prola (@pedroprola), disse ao PÚBLICO que esta visou apenas “divertir a timeline” e que não teve fins políticos, apesar de reconhecer que “as pessoas mais à direita” usaram a hashtag para criticar a reacção da esquerda à comunicação de quinta-feira de Cavaco Silva. Prola diz ter sido contactado por pessoas que acreditavam que estava realmente em curso um golpe de Estado em Portugal e por outras que o acusaram de “fazer propaganda”. “Mas a maioria só se riu”, conta, lembrando que a sátira tanto incluía individualidades conservadoras como personalidades da esquerda. com Pedro Guerreiro