Apoio de Costa fez Nóvoa manter candidatura

O apoio do líder socialista ao candidato presidencial permanece para lá das legislativas.

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Miguel Manso

O apoio de António Costa foi decisivo para que António Sampaio da Nóvoa reavaliasse a sua decisão de desistir da candidatura a Presidente da República, após as legislativas.

Perante a derrota eleitoral do PS, o antigo reitor da Universidade de Lisboa equacionou desistir da corrida ao Palácio de Belém. E optou por ouvir várias personalidades sobre esta decisão. Nóvoa conversou até com os ex-Presidentes que o apoiam, como Mário Soares.

Factor decisivo para a posição final foi o apoio pessoal que António Costa continuou a dar-lhe, mesmo depois de a comissão política de dia 6 de Outubro ter votado a directiva interna de que o PS não irá apoiar nenhum candidato da Presidente.

A liberdade de voto foi a forma encontrada pela direcção do PS para resolver as divisões internas que assolavam o PS sobre presidenciais. Mesmo antes de Sampaio da Nóvoa ter anunciado a sua candidatura a 29 de Abril, foi noticiado que António Costa iria apoiar esta candidatura. E perante as resistências surgidas dentro do PS, começou a ser colocada a hipótese de os socialistas não indicarem o seu apoio a nenhum candidato.

As divisões no PS sobre a questão presidencial agravaram-se quando a ex-presidente do partido, Maria de Belém Roseira anunciou que era também candidata. A partir desse momento, dentro do próprio secretariado de António Costa ficou claro que ninguém considerava que houvesse condições para que o PS pudesse apoiar Sampaio da Nóvoa.

Até porque Maria de Belém Roseira era uma figura do partido, o que tornaria politicamente inexplicável e insustentável que a direcção do PS viesse a dar o apoio a um não militante, quando uma ex-dirigente, ex-ministra e deputada socialista se apresentava a votos.

Ora, toda a estratégia da candidatura do ex-reitor assentava no pressuposto de que o PS sairia vencedor das urnas a 4 de Outubro e que, então, António Costa conseguiria ter espaço político interno para impor ao PS o apoio oficial deste partido a Sampaio da Nóvoa. Com a derrota do PS e a fragilização interna que esse resultado trouxe a António Costa, a questão presidencial foi desde logo enterrada pela comissão política, ao assumir que não haveria apoio a nenhum candidato.

Mas o facto é que Sampaio da Nóvoa contava com o apoio da direcção socialista, até porque, dessa forma, muito do que é o trabalho orgânico de uma candidatura estaria resolvida. E é dado como adquirido que apenas um candidato que tenha uma máquina oleada, muitas vezes fornecida pelos partidos que o apoiam, conseguem ter uma estrutura nacional de campanha.

Ainda que as eleições presidenciais sejam actos eleitorais a que se candidatam personalidades e não partidos, não há registo de nenhum candidato presidencial ganhador que não tenha sido apoiado por um partido político. Além de que em todos os presidentes civis, o próprio candidato tem sido sempre também um político com história partidária: Mário Soares, Jorge Sampaio e Cavaco Silva.