Google quer acelerar carregamento de notícias em dispositivos móveis

Editores com publicações online estabelecem parceria com motor de busca para publicar e distribuir conteúdos de forma mais rápida.

O projecto pretend que editores e utilizadores consultem de forma mais eficiente notícas nos seus smartphones ou tablets
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O projecto pretend que editores e utilizadores consultem de forma mais eficiente notícas nos seus smartphones ou tablets Nicolas ASFOURI/AFP

O Google e mais de 30 sites de alguns dos principais editores de media do mundo subscreveram um acordo para renovar a forma como os seus artigos surgem nos smartphones e tablets, nomeadamente que sejam descarregados mais rapidamente. No âmbito da parceria decidiram criar o primeiro formato universal e em código aberto para publicar e distribuir os seus conteúdos com mais rapidez, independentemente do dispositivo utilizado.

Em Abril deste ano, o Google anunciou uma parceria com alguns dos principais editores de media europeus “para apoiar o jornalismo de alta qualidade na Europa através da tecnologia e da inovação”. No âmbito da parceria, conhecida como Digital News Initiative (DNI), o motor de busca comprometeu-se a avançar com 150 milhões de euros destinados a projectos que “apresentem novas abordagens para o jornalismo digital”.

Meio ano depois, publicações como o El País, BBC, Washington Post, Guardian ou New York Times num total de 38 parceiros juntaram-se ao Google para a iniciativa Accelerated Mobile Pages (AMP) ou Páginas Móveis Aceleradas, cujo objectivo é melhorar “dramaticamente o desempenho da Internet móvel”, o que permitirá que os editores, programadores de aplicações e utilizadores consultem de forma mais eficiente notícas e artigos nos seus smartphones ou tablets.

O vice-presidente da divisão de engenharia do Google, David Besbris, explica num post que nos últimos meses, desde o anúncio da DNI, os editores afirmaram que um dos principais problemas com que se depararam foi que sempre uma página online demora a abrir, “perdem um leitor e a oportunidade de obterem alguma receita através da publicidade ou de subscrições”.

Os anunciantes presentes nos sites destes editores acabam por ter dificuldade em captar a atenção dos consumidores para os seus anúncios devido à lentidão da Internet e os leitores acabam por abandonar as páginas.

O Google e os seus parceiros pretendem que vídeos, animações ou gráficos carreguem instantaneamente como anúncios inteligentes e, nesse sentido, pretendem que seja utilizado um mesmo código que “funcione em múltiplas plataformas e equipamentos de modo a que o conteúdo possa aparecer em qualquer local e num instante”.

O novo código é aberto e é desenvolvido a partir de tecnologias que permitem aos sites criarem páginas mais leves. David Besbris adianta que além dos editores, o Google tem ainda parcerias com empresas tecnológicas e que entre estas existe um grupo que quer integrar as Páginas Móveis Aceleradas, nomeadamente o Twitter, o Pinterest, o WordPress.com, o Chartbeat, o Parse.ly e o LinkedIn.

O Facebook não surge nesta lista e isso por ter o programa alternativo Instant Articles (artigos instantâneos), lançado em Maio deste ano. Com o Instant Articles, os editores publicam directamente conteúdos noticiosos na rede social a que se pode aceder nos dispositivos móveis de uma forma dez vezes mais rápida e com uma leitura mais simples.

No âmbito do projecto AMP foi criada uma página online, g.co/ampdemo, para ser aberta apenas em dispositivos móveis, onde os leitores podem testar a rapidez do carregamento de conteúdos.

O responsável pela plataforma de parcerias para produtos do Google, Danny Bernstein, adiantou, por sua vez, que as AMP permitem uma maior velocidade no descarregamento de conteúdos. “Primeiro, estamos a simplificar todo o código HTML que há por trás das páginas web actuais, mas com uma exigência: para o leitor, as páginas têm de manter a aparência particular de cada editor”.

Para o processo de agilização da velocidade é ainda importante o alojamento de conteúdos. Estes deixam de estar alojados apenas nos servidores de cada editor de media com a rede Google a replicá-los para que sejam distribuídos em qualquer plataforma e em qualquer lugar. Isso significa que, por exemplo, quando uma notícia é actualizada por um editor num país, essa actualização fica visível de forma imediata noutra parte do mundo.

Os próximos passos a dar pelo Google e pelos seus parceiros passam agora pelo desenvolvimento de novas funcionalidades em três áreas: conteúdo, distribuição e publicidade.

Ao nível do conteúdo, o projecto Páginas Móveis Aceleradas pretende que através de um código aberto os editores possam incorporar uma maior variedade de conteúdos a oferecer ao leitor, concentrar-se nesses conteúdos para garantir que o leitor tenha a melhor experiência visual.

Quanto à distribuição dos conteúdos, o objectivo é permitir ao editor que continue a alojar os seus conteúdos nos seus servidores mas também nos servidores cache do Google. Assim, o motor de busca vai indexar mais rapidamente os conteúdos com o novo formato Páginas Móveis Aceleradas para que o leitor os localize imediatamente quando pesquisa uma notícia no Google.

No caso da publicidade, o Google indica que o projecto pretende “apoiar uma gama abrangente de formatos de anúncios, redes de anúncios e tecnologias”. “Qualquer site de Internet que utilize HTML AMP irá manter a sua opção de escolha de rede de anúncios ou tipo de formatos de anúncios que não afecte ou diminua a experiência do utilizador”. O projecto pretende ainda ser compatível com modelos de subscrições e paywalls