Quem são as forças em combate na Síria?

Num território cada vez mais dividido, hoje na Síria está muito mais em jogo do que derrubar Assad.

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Mural em Damasco de membros de milícias pró-Assad mortos em combate JOSEPH EID/AFP



Assad e aliados

- O exército sírio tinha 300 mil homens no início do conflito, mas os seus efectivos reduziram-se a metade devido às baixas e deserções. Os militares perderam dois terços do território para o EI ou para a Frente Al-Nusra – ramo local da Al-Qaeda – e outros rebeldes de inspiração islâmica. Mas controla ainda um território estratégico, que compreende Damasco, Homs e Hama no Centro do país, o litoral e uma parte de Alepo. Nestas regiões vive 50% da população que ainda permanece na Síria.

- As milícias pró-regime contam com 150 mil a 200 mil homens. A principal, as Forças de Defesa Nacional, com 90 mil combatentes, foi criada em 2012. A estas há que adicionar as milícias que vêm do Líbano, do Irão, do Iraque e do Afeganistão. A mais importante é a do Hezbollah libanês, que segundo os analistas terá entre 5000 e 8000 combatentes.

- A Rússia é o aliado de maior peso do regime. Recentemente, tornou-se mais presente no terreno, reconstruindo uma base no aeroporto de Latákia (Oeste) e dirigindo para lá aviões de combate, sistemas de defesa área e outros equipamentos modernos. Pelo menos 1700 soldados russos foram para lá enviados, segundo os media russos.

- O Irão é o principal aliado regional de Assad. Enviou 7000 guardas da Revolução para reforçar o exército e forneceu também conselheiros militares e ajuda económica ao Presidente sírio.

Frente Al-Nusra e outros grupos de inspiração islâmica
- Ahar al-Sham é um dos mais importantes grupos de oposição armada ao regime. Criado em 2011, é financiado por países do Golfo Pérsico e pela Turquia, segundo especialistas nos equilíbrios de poder regionais. Está presente sobretudo no Norte da Síria e na região de Damasco. Embora seja de inspiração salafista – uma ideologia político-religiosa que se baseia na crença do jihadismo violento e no regresso ao que os partidários deste movimento acreditam ser “o verdadeiro” Islão sunita – tentou apresentar-se este ano ao Ocidente como um grupo moderado.

- A Frente Al-Nusra é o ramo sírio da Al-Qaeda e é o grupo jihadista mais importante na Síria a seguir ao EI, seu rival. Classificado como “terrorista” por Washington, é liderado por Abu Mohammad al-Jolani. Aliou-se com outros grupos revoltosos, nas províncias de Idleb (Noroeste) e de Alepo (Norte). Está também presente nos arredores de Damasco e no Sul.

Estes dois grupos integram, juntamente com outras formações de menor expressão, o Exército da Reconquista, criado em 2015. Financiado, segundo os especialistas, pelos países do Golfo, expulsou quase todas as tropas de Assad da província de Idleb.

- Jaich al-Islam é o mais importante grupo revoltoso na região de Damasco. É dirigido pelo islamista Zahrane Allouche.

- A Frente do Sul junta vários grupos armados não islamistas que conquistaram partes da província de Deraa, no Sul do país.

Grupo Estado Islâmico
Esta é a formação mais bem organizada, mais rica e mais temida, por causa das atrocidades que pratica. Desde a sua entrada no conflito, em 2013, o EI conquistou metade do território sírio. Dirigido por Abu Bakr al-Baghdadi, com com milhares de combatentes estrangeiros, luta contra o regime de Assad, a Al-Nusra, outros rebeldes e os curdos. Em Junho de 2014 proclamou um califado, tendo por base os territórios que conquistou na Síria e no vizinho Iraque. Mais de 30 mil jihadistas estrangeiros juntaram-se às suas fileiras nestes dois países desde 2011, segundo os serviços de informações norte-americanos.

Curdos
Presentes sobretudo no Norte e no Nordeste, os curdos defendem os seus próprios territórios, depois de as forças do regime se terem retirado. Receberam apoio da coligação internacional liderada pelos EUA para obrigar o EI a retirar-se das suas cidades.

Coligação Internacional
Face aos ataques e atrocidades cometidos pelo EI, os Estados Unidos, aliados a vários países árabes, iniciaram em Setembro de 2014 uma campanha de ataques aéreos contra os jihadistas do Estado Islâmico. Mas, até agora, não os conseguiram neutralizar. Vários países ocidentais,  como o Reino Unido e França, têm-se juntado à coligação.