Galp falha licença para extrair petróleo no México

Petrolífera associou-se à Petronas para concorrer à extracção de petróleo , mas a proposta financeira ficou em sexto lugar, num total de nove.

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Italiana Eni venceu leilão disputado pela Galp REUTERS/Marathon Oil/Handout

A Galp e a Petronas Carigali, da Malásia, concorreram à aquisição de uma licença para extracção de petróleo em águas pouco profundas do Golfo do México, mas a proposta das duas petrolíferas ficou em sexto lugar, num total de nove. A vitória coube à italiana Eni, anunciou esta quarta-feira a Comisión Nacional de Hidrocarburos (CNH) do México.

A CNH abriu esta quarta-feira as propostas económicas para os nove blocos, agrupados em cinco áreas contratuais. Nestes blocos petrolíferos, as reservas de petróleo e gás já estão identificadas e quantificadas, pelo que o risco das empresas é menor do que se fossem contratos para exploração (em contrapartida, as licenças são mais caras). Das cinco áreas em licitação, houve duas áreas que ficaram desertas.

Além da primeira, a que concorreu a Galp e que foi a mais disputada, só outras duas foram adjudicadas, uma ao consórcio argentino formado pela Pan American e a E&P Hidrocarburos y Servicios e outra à norte-americana Fieldwood Energy em associação com a mexicana Petrobal (que fizeram a única proposta).

A petrolífera portuguesa  ficou assim afastada da única área a que concorreu nesta segunda fase de licitação da primeira ronda de leilões com que o governo mexicano quer abrir o sector petrolífero à iniciativa privada. E por se tratar precisamente da primeira de uma ronda de quatro leilões, é expectável que a petrolífera liderada por Carlos Gomes da Silva volte a tentar a sua sorte no México.

Em declarações anteriores ao PÚBLICO, fonte oficial da empresa tinha adiantado que a Galp está a analisar operações “com potencial que se encaixem na sua estratégia de diversificação de participações” e que “as diversas oportunidades que se irão abrir no México nos próximos tempos encaixam-se no perfil estratégico” da companhia.

Numa primeira fase de licitações a Galp chegou a associar-se ao grupo britânico BG Group (comprado pela holandesa Shell) para concorrer à exploração de 14 blocos também em águas pouco profundas. Contudo, a petrolífera portuguesa e o grupo britânico (que já são parceiros em projectos no pré-sal brasileiro, com a Petrobras) não chegaram a apresentar qualquer proposta.

Nessa primeira licitação, cujos resultados foram conhecidos em Julho, só duas áreas registaram interessados, a Sierra Oil and Gas, a Talos Energy e a Premier Oil, que acabaram por constituir um consórcio para estes projectos de prospecção.

O factor fiscal, tem sido um dos motivos que alguns analistas citados pela imprensa mexicana apontam como sendo dissuasor nestes processos de licitação no México. O plano do governo mexicano previa a atribuição de mais de 700 blocos petrolíferos em quatro anos, mas algumas tentativas já saíram goradas.

As próximas rondas de leilões também visam a adjudicação de projectos em águas profundas e projectos em terra. Neste último caso, os projectos de exploração ficaram sem licitação e os projectos de extracção para 25 áreas têm data de entrega de propostas até 15 de Dezembro, de acordo com o calendário da CNH.