Merkel mantém intenção de realizar cimeira extraordinária sobre refugiados

Parlamento Europeu deve aprovar esta quinta-feira, por clara maioria, apoio à relocalização de 120 mil pessoas que estão na Grécia, Itália e Hungria

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Posição da chanceler é entendida como uma forma de pressão para um entendimento JOHN MACDOUGALL/AFP

Angela Merkel continua a querer que a crise dos refugiados seja discutida urgentemente numa cimeira extraordinária de chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE).

A posição da chanceler, entendida como uma forma de pressão para um entendimento sobre a distribuição de refugiados – após o fracasso da reunião de ministros do Interior, na segunda-feira – foi anunciada depois de um encontro com o homólogo austríaco, Werner Faymann, na terça.

Esta quarta-feira, um dos seus porta-vozes, Georg Streiter, disse que a posição da chanceler alemã não se alterou mesmo depois de a UE ter anunciado uma reunião de emergência de ministros do Interior para a próxima terça-feira, 22 de Setembro.

A falta de entendimento entre os ministros para o acolhimento de 120 mil requerentes de asilo – a juntar a outros 40 mil que esperam por uma decisão desde o início do Verão – mereceu esta quarta-feira severas críticas de uma larga maioria dos deputados do Parlamento Europeu (PE), que se pronunciaram sobre a reunião de segunda-feira dos ministros.

Foram feitos apelos aos estados da UE para permanecerem unidos, adoptarem medidas urgentes para gerir a crise e trabalharem na criação de um sistema europeu de asilo e migração que funcione no longo prazo.

Para esta quinta-feira está prevista, “ao abrigo do processo de urgência”, uma votação em que uma larga maioria dos deputados deverá manifestar-se a favor do plano de crise para relocalizar noutros países 120 mil refugiados que estão na Itália, Grécia e Hungria. “A actual crise dos refugiados exige que actuemos com rapidez”, justificou o presidente do PE, Martin Schulz.

O deputado britânico Claude Moraes, presidente da comissão das Liberdades Cívicas, Justiça e Assuntos Internos, apoiou o recurso ao processo de urgência e pediu aos eurodeputados que demonstrem na votação “a solidariedade europeia à crise dos refugiados”. O Parlamento Europeu – que pelas normas internas deve ser consultado sobre o acolhimento – “está a enviar um sinal claro ao Conselho de Ministros da UE de que está disposto a trabalhar muito rapidamente de modo a dar resposta à crise dos refugiados”, disse o parlamentar trabalhista.