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Bordalo II, um veado e uma baleia atulhada em lixo

O jovem artista português esteve no Nuart, na Noruega, onde foi fotografado por Martha Cooper, uma lenda da "street art"

Lixo. Lagarto-lagarto, um coelho, um tucano e um guarda-rios, um guaxinim e um cardume, o sapo, o rato e a salamandra, o cão e o gato e o pinguim. Lixo. Que o lixo de uns é a "street art" dele já todos sabemos. E vamos vendo a arte de Bordalo II a transbordar. Na Noruega, durante o NuArt, um dos últimos paraísos desta arte urbana, o artista português "plantou" uma baleia e um veado. E foi fotografado por Martha Cooper — e isso também diz muito.

"Deixei uma parte do universo onde vivemos", disse ao P3 Artur Silva, aka Bordalo II, em trânsito entre o Nuart e o Urban Forms, em Lódz, na Polónia, antes do Life is Beautiful, em Las Vegas, EUA. Deixou uma peça interior, para a exposição colectiva, uma baleia "suja, atulhada em lixo e água suja que esguichava água suja" e uma peça exterior, um veado. Os dois trabalhos taxem parte da série "Big Trash Animals", a sua imagem de marca.

"É uma série de trabalhos que visa chamar a atenção para um problema da actualidade que tende a ser esquecido e tornado uma banalidade ou um mal necessário: a produção de lixo, o desperdício, a poluição e os seus efeitos no nosso planeta. A ideia passa por representar uma imagem da natureza, neste caso os animais, construída com aquilo que a destrói. Estas obras são construídas com materiais em fim de vida, muitos encontrados em terrenos baldios, fábricas abandonadas ou por aí; outros vou buscar a empresas que terão de se desfazer deles para uma possível reciclagem. Pára-choques acidentados, contentores do lixo queimados, pneus, electrodomésticos, são algumas das peças que conseguimos identificar quando olhamos mais profundamente sobre a peça, que tende a camuflar o fruto dos nossos hábitos com pouca consciência ecológica e social."

Na Noruega, Bordalo II teve a oportunidade de "conviver com alguns grandes nomes do street art mundial" e de "trocar ideias, aprender e mostrar" o seu trabalho, reconhecido inclusive por Martha Cooper, ávida coleccionadora de 'street art' há várias décadas. "Foi um orgulho, claro. Além de ser um dos nomes mais emblemáticos da street art e do graffiti desde os primórdios, é uma pessoa muito interessante".