Armadores reclamam aumento de 30% da pesca de sardinha em 2016

Manifesto aprovado nesta segunda-feira defende que no próximo ano o limite deve ser de 16.900 toneladas.

Além da sardinha, empresas passaram a produzir conservas de 16 espécies de peixe, quase o dobro de há dois anos
Foto
Além da sardinha, empresas passaram a produzir conservas de 16 espécies de peixe, quase o dobro de há dois anos Nelson Garrido

A Associação Nacional das Organizações dos Produtores da Pesca do Cerco (Anopcerco) defende que a captura de sardinha no próximo ano deveria aumentar 30% e chegar às 16.900 toneladas. Num manifesto aprovado nesta segunda-feira, os armadores dizem que qualquer outra solução “nunca será compreendida” pelos pescadores e “irá gerar ondas de contestação cuja dimensão e amplitude” não conseguem prever.

A associação lembra que “os primeiros e principais interessados na preservação do stock de sardinha nas águas portuguesas são os pescadores” que, ao longo dos últimos anos, se têm empenhado na aplicação do Plano de Gestão da Sardinha.

A associação pede a “rápida clarificação das possibilidade de captura para 2016” e apresenta alguns dados sobre a disponibilidade de sardinha nas águas portuguesas, uma avaliação que dizem fazer diariamente ao longo dos últimos “quatro a cinco meses”.

“O stock de sardinha apresenta nítidas melhorias em termos de dimensão e de diversidade da sua localização, confirmando a informação do Instituto Português do Mar e da Atmosfera”, referem, acrescentando que tem havido também um acréscimo “muito relevante” de juvenis (petinga), “largamente superior ao que foi detectado em anos anteriores no mesmo período”.

Os armadores defendem que deve haver precaução e prudência em relação às quotas e, por isso, entendem que “o limite de captura para 2016 poderá aumentar em 30% face à limitação definida para 2015, ou seja, para 16.900 toneladas”.

Estes limites, acrescenta a Anopcerco, são uma forma de manter “alguma esperança” no sector da pesca de cerco. Nos próximos sete a oito meses as embarcações não podem sair para o mar.

A tomada de posição dos armadores ocorre em vésperas de uma reunião com a ministra da Agricultura, Assunção Cristas, marcada para esta quarta-feira.

Em 2015, foi definido um limite de 13 mil toneladas para as artes de cerco, repartidas por dois períodos (4000 toneladas entre Março e Maio e 9000 toneladas entre Junho e Outubro) e atribuídas às dez associações de produtores (excepto 3% reservados para armadores independentes).

A 22 de Agosto, a Organização de Produtores do Centro (Nazaré e Peniche) esgotou a sua quota e a pesca foi interdita naquelas zonas. Na sexta-feira passada, também os armadores de Portimão ficaram impedidos de sair para o mar, porque esgotaram a quota local anual de 700 toneladas de captura de sardinha.

Os armadores e pescadores que fiquem temporariamente impedidos de pescar vão receber compensações que, no caso dos pescadores oscilam entre os 20 e os 27 euros por dia.

Contudo, a quota anual ainda não foi esgotada em todas as zonas havendo ainda cerca de 2600 toneladas para pescar até final de Outubro.

Sugerir correcção