Lula diz que será candidato em 2018, "se for necessário"

Não foi a primeira vez que o ex-Pesidente admitiu voltar a concorrer. Em 2014 disse não descartar um eventual regresso à política activa para evitar que "retrógrados voltem ao poder".

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Ex-Presidente defendeu punição de quem cometeu desvios no esquema de corrupção Lava-Jato Miguel Rojo/AFP

O ex-Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva disse que, "se for necessário", vai disputar as eleições presidenciais de 2018. Em entrevista à Rádio Itatiaia, de Minas Gerais, disse que vai passar a ter uma actividade política mais intensa a partir de agora, viajando pelo país.

Citado pelo jornal O Globo, Lula reconheceu que o PT (Partido dos Trabalhadores, a que pertence) cometeu erros de política económica, defendeu a punição de quem cometeu desvios no esquema de corrupção Lava Jato e criticou as tentativas da oposição para derrubar a Presidente Dilma Rousseff, sua sucessora.

Questionado sobre uma eventual candidatura em 2018, Lula evitou colocar-se na corrida e disse esperar que outros nomes fortes apareçam no partido. "Sinceramente, não posso dizer que sou ou que não sou [candidato]. Espero que tenham outras pessoas para serem candidatas. Agora, se a oposição pensa que vai ganhar, que não vai ter disputa, que o PT está acabado, pode ficar certo do seguinte: se for necessário, eu vou para a disputa e vou trabalhar para que a oposição não ganhe as eleições."

O anúncio coincidiu com a divulgação de indicadores económicos do segundo trimestre do ano, que confirmam a entrada oficial do país em recessão, depois de seis meses consecutivos de crescimento negativo do Produto Interno Bruto, menos 0,7% de Janeiro a Março e menos 1,9% entre Abril e Junho.

Os indicadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística são um duro golpe nas aspirações do Brasil a líder do bloco das economias emergentes e mais uma machadada na credibilidade do Governo da Presidente Dilma Rousseff, cuja taxa de aprovação — à semelhança da actividade económica do país — está em queda acentuada.

Não foi a primeira vez que o ex-Pesidente admitiu voltar a candidatar-se. Já em 2014 disse não descartar um eventual regresso à política activa para evitar que "retrógrados voltem ao poder". E recentemente defendeu a necessidade de uma "revolução no PT".

Sobre a Operação Lava Jato, Lula da Silva, que já chegou a afirmar estar convencido de que seria ele o próximo alvo, voltou a dizer que não sabia que havia um esquema de desvio de dinheiro na Petrobras e defendeu que Dilma também não tinha informações sobre a corrupção da petrolífera estatal, mas defendeu a punição de políticos do PT e de outros partidos que que estejam envolvidos.

"Acho que o PT cometeu desvios porque o PT passou a fazer política igual aos outros partidos. O PT era para ser diferente de verdade. Mas os erros aparecem. E aí o PT começa a pagar. Serão punidos todos os que errarem."