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Olhos em Gaza

Desde que deixou Vila Real, há 16 anos, a fotojornalista portuguesa Violeta Moura já desfez as malas em diversas paragens. Há cinco anos aterrou em Telavive sem bilhete de volta.

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No Verão passado, durante a última guerra em Gaza, dezenas de israelitas saíram para as ruas de Telavive para protestar contra a ofensiva israelita. A manifestação era pacífica mas vários elementos da direita radical furaram o cordão policial e agrediram os manifestantes. Violeta Moura estava a cobrir o acontecimento como freelancer quando soaram as sirenes antiaéreas denunciando rockets do Hamas. A maioria correu para o abrigo, mesmo debaixo da praça onde decorria o protesto. Violeta preferiu seguir em sentido contrário — antes arriscar tentar chegar a casa do que partilhar um abrigo com ultranacionalistas. Foi a partir desse instante que se decidiu a ir a Gaza, um território que foi palco de três guerras em seis anos e onde vivem quase 2 milhões de palestinianos, impedidos de cruzar as fronteiras.

“O Governo israelita sustenta a ocupação com o discurso do medo e da insegurança. É isso que dizem na televisão e nos jornais, é isso que ensinam na escola. Mas a ocupação, ao contrário do que a maioria dos israelitas pensa, não é uma questão de segurança, mas sim de controlo”, explica Violeta, que chegou a Israel há cinco anos depois de ter vivido em Marrocos e na Polónia e de ter feito mestrado em Jornalismo na Universidade de Barcelona.

Em 2010, um estágio em jornalismo levou-a até Israel, onde conheceu Avihai Stollar, um antigo militar das Forças de Defesa Israelitas, com quem partilha a vida e os interesses políticos desde então — Avihai combateu na segunda Intifada e era primeiro sargento quando decidiu que não queria que a violência continuasse a fazer parte da sua rotina e afastou-se da vida militar para se juntar à ONG Breaking the Silence, que tem como principal objectivo acabar com a ocupação israelita dos territórios palestinianos. 

Violeta Moura, 31 anos, tem publicado no Ha’aretz, The Business Times e The Week

Autocarro destruído em frente à casa, também bombardeada, de Mohamed Deif, o comandante da ala militar do Hamas
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Um homem faz um telefonema depois de uma reunião no que resta do Ministério de Reconstrução de Gaza
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Há variedade no leilão matinal de peixe, que começou como sempre às cinco da manhã
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. Israel proíbe os pescadores de Gaza de cruzarem 
as 6 milhas náuticas, menos de 10 km. Uma imposição que ignora os Acordos de Oslo, que definem como limite as 20 milhas. O que os pescadores apanham cobre apenas 20% das necessidades dos quase 2 milhões 
de habitantes 
do território
. Israel proíbe os pescadores de Gaza de cruzarem as 6 milhas náuticas, menos de 10 km. Uma imposição que ignora os Acordos de Oslo, que definem como limite as 20 milhas. O que os pescadores apanham cobre apenas 20% das necessidades dos quase 2 milhões de habitantes do território
120 mil palestinianos perderam a casa há um ano e continuam a viver nas 90 escolas das Nações Unidas espalhadas pelo território. Algumas, como esta, enfrentam riscos de saúde pública porque albergam pessoas a mais há demasiado tempo e os recursos escasseiam
120 mil palestinianos perderam a casa há um ano e continuam a viver nas 90 escolas das Nações Unidas espalhadas pelo território. Algumas, como esta, enfrentam riscos de saúde pública porque albergam pessoas a mais há demasiado tempo e os recursos escasseiam
Um bombardeamento destruiu o Jardim Zoológico de Gaza e matou mais de 80 animais. Três leões foram levados para a Jordânia com o apoio de organizações internacionais. Os cerca de 30 animais que ficaram sobrevivem em jaulas imundas, com pouca comida e pouca água. Os responsáveis do zoo garantem que não têm forma de alimentar os animais nem de lhes proporcionar os tratamentos que lhes poderiam salvar a vida
Um bombardeamento destruiu o Jardim Zoológico de Gaza e matou mais de 80 animais. Três leões foram levados para a Jordânia com o apoio de organizações internacionais. Os cerca de 30 animais que ficaram sobrevivem em jaulas imundas, com pouca comida e pouca água. Os responsáveis do zoo garantem que não têm forma de alimentar os animais nem de lhes proporcionar os tratamentos que lhes poderiam salvar a vida
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