VinBot, um robô todo-o-terreno para a vinha

Informações obtidas pelo robô permitirão construir mapas em tempo real sobre o rendimento e o vigor das videiras. Portugueses participam neste projecto europeu.

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Protótipo do robô VinBot DR
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O VinBot destina-se à recolha de informações na vinha DR
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Parte de baixo do robô DR

É um robô autónomo todo-terreno, que se desloca pela vinha e recolhe informações sobre o seu estado. O VinBot é um projecto europeu, do qual fazem parte três entidades portuguesas, e que pretende responder à necessidade de aumentar a qualidade da produção de vinho, através da agricultura de precisão. A sessão de demonstração do protótipo foi esta quinta-feira nas vinhas da Tapada da Ajuda, em Lisboa.

“O robô está equipado com câmaras que captam imagens da vinha e outras informações tridimensionais para determinar, por exemplo, as dimensões da vegetação”, explica ao PÚBLICO Carlos Lopes, líder da equipa do Instituto Superior de Agronomia (ISA) da Universidade de Lisboa, que integra o projecto. “Isto será importante para se fazer estimativas de produção e consequentemente gerir de uma forma melhor as necessidades no planeamento da vindima.”

A empresa portuguesa Agri-Ciência é outro dos parceiros do projecto, que teve um financiamento de mais de dois milhões de euros, detendo os direitos em Portugal para posteriormente comercializar o robô. O preço rondará os 30 mil euros. Coordenado pela empresa espanhola Ateknea Solutions, o projecto junta ainda a Cooperativa Agrícola de Granja, que associa os produtores ao projecto, e o ISA como entidade de investigação. Fazem também parte outras seis entidades europeias, que cooperam no desenvolvimento da tecnologia do VinBot (a sigla em inglês de All terrain VINyard RoBOT).

As imagens e informações recolhidas pelo robô são analisadas em tempo real por aplicações de computação, que irão estimar a quantidade de folhas, uvas e outros dados da planta, para construir mapas de rendimento e vigor da videira. Este último é determinado pelo sensor do Índice da Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI, na sigla em inglês). Este robô para viticultura de precisão permitirá assim aos produtores obterem informação detalhada sobre o estado das vinhas, antes recolhida com a inspecção visual de pequenas amostras. Avaliar o excesso de água na planta após a floração, o stress com o calor, a forma e o tamanho do bago e do cacho, as pragas, doenças e deficiências nutricionais são algumas das possibilidades oferecidas pelo VinBot.

“Como normalmente a vinha é muito heterogénea no que respeita à maturação das uvas, torna-se difícil fazer uma avaliação precisa a partir dos métodos actualmente disponíveis”, explica Carlos Lopes. “Existe já um método de avaliação do vigor da videira a partir de imagens recolhidas por satélite, mas como essas imagens apenas mostram a parte de cima da vinha, podem muitas vezes induzir em erro.”

Com o novo instrumento, que ainda se encontra em fase de testes, os produtores serão capazes de misturar uvas com o mesmo estado de maturação para produzir vinhos de maior qualidade, assim como de segmentar a sua produção no que respeita à qualidade e quantidade. O robô será capaz de monitorizar de forma autónoma cerca de 168 hectares, três vezes por ano, e pode subir inclinações de terreno até aos 45 graus, segundo o site do projecto.

“Estamos ainda a testar a capacidade do robô se deslocar sozinho na vinha, assim como a capacidade de traduzir a informação técnica recolhida em mapas”, diz Carlos Lopes.   

Com a finalidade de ser comercializado, o robô para viticultura de precisão adequar-se-á a terrenos de grandes dimensões, para poder compensar o seu custo pelos benefícios conseguidos. “Os nossos potenciais clientes são sobretudo as grandes empresas e as associações de produtores”, esclarece Carlos Lopes.

Apesar de ter visto a sua quota de mercado reduzida de 79% para 61% nos últimos 20 anos, a União Europeia (UE, a 27 países) continua a ser o maior produtor e exportador de vinho do mundo. Existem actualmente 1,6 milhões de vinhas na UE-27, distribuídas por 4,3 milhões de hectares, e que produzem cerca de 175 milhões de hectolitros de vinho por ano. Em Portugal, a vinha é um sector estratégico cuja importância está indicada no número elevado de Denominações de Origem Controlada (26 no total) para a área relativamente pequena do país.

Texto editado por Teresa Firmino