Tsipras substituiu contestatários no Governo

Saem, como previsto, Panagiotis Lafazanis, líder da Plataforma de Esquerda, e alguns vice-ministros. Incêndios também exigiram atenção do primeiro-ministro.

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Tsipras com a equipa de coordenação do combate aos fogos Reuters

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, concretizou na noite desta sexta-feira uma remodelação governamental que era esperada depois da divisão provocada no seu partido, Syriza, pela aprovação de medidas de austeridade exigidas pelos parceiros da zona euro. Saem membros do Governo que votaram contra o acordo e são mudadas internamente algumas peças.

Como previsto, um dos que sai é o até aqui ministro da Energia, Panagiotis Lafazanis, líder da Plataforma de Esquerda, a facção mais radical do Syriza, que votou contra o acordo. É substituído por Panos Skourletis, que era ministro do Trabalho e é considerado um fiel do chefe do Governo. Para o lugar de Skourletis vai Giorgos Katrougalos, que estava na Administração Interna.  

É igualmente substituída Nadia Valavani, vice das Finanças, que se demitiu horas antes da votação de quarta-feira. O seu substituto chama-se Tryfon Alexiadis, um dirigente do sindicato dos trabalhadores dos impostos. Christoforos Vernardakis, um académico, torna-se vice da Defesa, ocupando o lugar de Kostas Isychos, um contestatário cuja saída estava também pré-anunciada. A deputada Olga Gerovasili é agora porta-voz, substituindo Gavriil Sakellarides,

No total são, segundo a AFP, dez as alterações, incluindo mudança de pastas, num Governo de 42 membros. Mas não há surpresas. Os substituídos são principalmente vice-ministros.

“Nada de espectacular”, escreveu no twitter o analista Nick Malkoutzis, do diário Kathimerini e do site de análise Macropolis, que deixa uma questão: “Um Governo desenhado apenas para as próximas semanas?”

Chegou a admitir-se que a remodelação pudesse ser atrasada devido à atenção que Tsipras teve de dar aos incêndios que deflagraram com intensidade à volta de Atenas e noutras zonas do Sul da Grécia. Nuvens de fumo cobriram áreas da capital. Dezenas de pessoas foram obrigadas a deixar casas ameaçadas pelas chamas. A polícia contou 34 incêndios em quatro frentes, entre a ilha de Evia, a nordeste da capital, e a região de Peloponeso.

O primeiro-ministro apelou à calma e mobilizou a Força Aérea, e outros meios militares, para reforçarem o combate às chamas. Pediu também apoio aéreo aos parceiros europeus para lidar com uma situação que é frequente no Verão. As altas temperaturas e o vento facilitaram que a progressão do fogo.

Ainda na qualidade de ministro, Panagiotis Lafazanis deslocou-se a uma frente de incêndio perto de Atenas. “Estamos todos a fazer um esforço para evitar o pior”, disse, com uma máscara de protecção, à televisão grega. Foi, segundo a Reuters, vaiado por moradores furiosos que o acusaram de estar a fazer “micropolítica” e o desafiaram a despir o casaco e ajudar.

Outros fogos deflagraram em zonas rurais da ilha de Evia, próximo de Atenas, e na região da Lacónia, sudeste do Peloponeso, 300 Km da capital, onde – segundo a televisão pública – a frente de incêndio tinha 15 Km de extensão, combatida por aviões, helicópteros e dezenas de bombeiros. “Duas aldeias foram evacuadas depois de o fogo ter destruído casas”, disse o presidente do município de Monemvassia, Iraklis Trichilis, à agência Ana. A polícia informou que um homem de 58 anos que sofria de problemas respiratórios, um turista segundo a  Mega TV, morreu depois de ter inalado fumo.