Jordi Savall distinguido com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva

O prémio distingue aqueles que tenham oferecido uma contribuição extraordinária para a divulgação do património cultural europeu e dos seus valores. Savall sucede a Claudio Magris e Orhan Pamuk.

Foto
Nascido em 1941, o catalão Jordi Savall é um dos grandes divulgadores mundiais da música antiga europeia DR

O músico e maestro catalão Jordi Savall é o vencedor do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, que distingue aqueles cujo percurso tenha contribuído de forma extraordinária para a divulgação do património cultural europeu. “É extremamente encorajador receber este apoio, sobretudo nestes momentos difíceis para os que como nós se esforçam para que a música, a beleza e a cultura possam chegar a um cada vez maior número de pessoas e de países”, declarou Jordi Savall em comunicado enviado à imprensa pelos promotores do Prémio.

Jordi Savall, nascido em 1941 em Igualada, é um dos grandes intérpretes e divulgadores da música antiga do continente europeu, promovendo o conhecimento da música espanhola e europeia do renascimento e do barroco, e estabelecendo pontes entre aquela e a música de outras latitudes. Com uma carreira que remonta à década de 1960, o violista (a viola e gamba é o seu instrumento de eleição) criou conjuntos como o Hespérion XX, em 1974, o La Cappella Reial de Catalunya, em 1987, e a orquestra Concerto das Nações em 1989. Hoje, encontramo-los todos reunidos na Fundação Centro Internacional de Música Antiga, fundado por Savall com a sua mulher, a mezzo soprano Monserrat Figueras, que morreu em 2011.

“Através de um grande número de actividades, que vão desde a participação e organização de concertos e festivais, passando pela investigação e gravação bem como pelo ensino de novas gerações de músicos, Jordi Savall é incansável na sua missão de levar a música às pessoas e as pessoas à música”, elogiou no comunicado supracitado o presidente do júri, Guilherme d’Oliveira Martins. Além do actual Presidente do Tribunal de Contas português, o júri era formado por Francisco Pinto Balsemão, João David Nunes, da direcção do Clube Português de Imprensa, Eduardo Marçal Grilo, do Conselho de Administração da Gulbenkian, e Irina Subotic, Piet Jaspaert, Marianne Ytterdal e José-Maria Ballester, da Europa Nostra.

O tenor e maestro Plácido Domingo, presidente da Europa Nostra, comentou a atribuição do prémio destacando aquilo que o une a Savall: “acreditamos no poder da música para iluminar e encantar os espíritos e corações das pessoas e para unir os seres humanos para além das barreiras físicas e mentais”. No final das suas declarações reforçou que “hoje, mais do que nunca, precisamos de unir as vozes que, como a de Jordi Savall, promovem a paz e o diálogo através da celebração do nosso património".

Com mais de duas centenas de álbuns editados, Jordi Savall foi designado Embaixador para o Diálogo Cultural da União Europeia em 2008 e, em 2009, juntamente com Montserrat Figueras, Artista para a Paz da UNESCO.

Instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura, a que se associaram a Europa Nostra, organização europeia de defesa do património, e o Clube Português da Imprensa, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva distinguiu no seu primeiro ano o escritor italiano Claudio Magris. No ano passado, foi outro escritor, o turco e nobelizado Orhan Pamuk, a receber a distinção.

O nome do prémio homenageia a jornalista e escritora portuguesa Helena Vaz da Silva, que morreu em 2002.