Avião solar ficará meses em terra devido a problema técnico

As baterias do Solar Impulse, o célebre avião movido a energia solar, sofreram danos que obrigam a adiar o resto da sua volta ao mundo.

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O voo do Solar Impulse entre o Japão e o Havai demorou cerca de 118 horas Fabrice Coffrini/REUTERS

O avião experimental, cuja silhueta é extremamente alongada e fina e que tem a bordo lugar para uma única pessoa, não deverá portanto empreender a etapa seguinte da sua viagem – um voo de quatro dias e quatro noites com destino a Phoenix, no Arizona (EUA) – até finais de Abril ou mesmo inícios de Maio 2016.

Será esse o tempo necessário para reparar as quatro baterias do Solar Impulse, que armazenam a energia do Sol durante o dia para o avião conseguir manter-se em voo durante a noite, permanecendo assim no ar sem interrupção durante longos períodos e percorrendo enormes distâncias.

A reparação e o teste das baterias empurra assim para a próxima Primavera, em termos de condições meteorológicas e de duração dos dias, a janela de oportunidade para o Solar Impulse completar a travessia do Pacífico.

As baterias sobreaqueceram durante a subida inicial do avião após à sua descolagem, a 29 de Junho, de Nagóia (Japão), a caminho do Havai, naquilo que constitui o mais desafiante lanço da tentativa de circum-navegação, explicaram ainda os representantes da missão.

Apesar do problema nas baterias, o aviador suíço André Borschberg e a sua equipa completaram com sucesso a parte da viagem entre o Japão e o Havai, aterrando sem problemas perto de Honolulu a 3 de Julho, depois de um voo de cinco dias e cinco noites que durou 117 horas e 52 minutos.

O feito estilhaçou o recorde mundial de permanência no ar de um voo sem escalas feito a solo – recorde detido, desde 2006, pelo entretanto falecido aventureiro norte-americano Steve Fossett, a bordo do seu avião Virgin Atlantic/Global Flyer. A viagem Japão-Havai do Solar Impulse também atingiu novos recordes de duração e de distância para os aviões solares.

Borschberg e o outro co-fundador do projecto, o aviador suíço Bertrand Piccard, tencionam conseguir dar a primeira volta ao mundo num avião movido a energia solar, alternando aos comandos do Solar Impulse a cada etapa da viagem. Embora um hiato de nove meses represente um revês para a tripulação, isso não a impedirá, se for bem sucedida, de reclamar um lugar nos registos oficiais dos recordes mundiais da aviação. A pausa forçada apenas alonga o tempo total necessário à realização da façanha, diz Art Greenfield, director dos concursos e recordes da Associação Aeronáutica dos EUA, a divisão norte-americana da Federação Aeronáutica Internacional (FAI), com sede na Suíça.

Citando o “código desportivo” da FAI relativo aos aviões solares, Greenfield salientou que as regras operacionais estipulam que “qualquer período de tempo passado em terra entre o início e o fim será contado como tempo de voo”. É possível que outras equipas acabem por fazer a viagem mais depressa, mas “a primeira vez é a que fica na memória de todos”, diz Greenfield. A equipa suíça espera cruzar a linha final em Abu Dhabi (Emirados Árabes Unidos), onde a viagem começou a 9 de Março.