Britânico quis ajudar os “primos gregos” e lançou campanha de crowdfunding

Objectivo de Thom Feeny, 29 anos, é angariar os 1600 milhões de euros que a Grécia precisa para pagar aos credores

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“O comércio irá ajudar a Grécia a sair da actual situação”, diz o jovem britânico Niklas Hallen/AFP

Thom Feeny, 29 anos, trabalha numa sapataria em Londres mas está cansado de ouvir falar na crise grega, sem aparente resolução à vista. Farto de ver os políticos discutirem sem qualquer resultado prático, enquanto as “pessoas reais” continuam a sofrer na pele, decidiu criar, segunda-feira, uma campanha de crowdfunding na plataforma IndieGoGo que, às 17h00, contava já com 13.600 aderentes e um total de 212.362 euros. Quando este texto começou a ser escrito, o montante arrecadado estava nos 76.886 euros.

A intenção deste britânico é ambiciosa: juntar os 1600 milhões de euros que a Grécia precisa para pagar aos credores. Nada mais simples se cada europeu desembolsar pouco mais de três euros, argumenta. É o que custa uma cerveja em Londres ou o equivalente a uma salada de queijo feta e azeite consumida por cada um dos cidadãos europeus. “Entendo que as pessoas possam achar que isto é uma piada, mas o crowdfunding pode mesmo ajudar porque esta é só uma questão de decidir e dar o passo em frente”, explica na plataforma, que foi actualizada com uma série de perguntas e respostas na sequência da avalancha de pedidos de jornalistas que, entretanto, recebeu.

A campanha tem a duração de sete dias e só terá sucesso se Thom Feeny conseguir angariar toda a quantia. Ou seja, os milhares de aderentes só terão de pagar o valor que doaram se o objectivo final for alcançado. Caso contrário, fica sem efeito. Como é habitual no crowdfunding, a cada contributo corresponde um prémio diferente. O valor mínimo é três euros, em troca dos quais é possível ter um postal de Alex Tsipras, o primeiro-ministro grego. “Vamos fazê-los e enviá-los da Grécia e ajudamos as gráficas locais e as estações de correios”, detalha.

Seis euros valem uma salada de queijo feta e azeite, dez euros uma pequena garrafa de Ouzo e 25 euros uma garrafa de vinho. Há ainda a opção de doar 160 euros e receber um cesto com produtos gregos ou, para os mais empenhados, cinco mil euros por umas férias a dois na Grécia. Para os “super-ricos com um bom coração” que desembolsem um milhão de euros há “muita gratidão dos cidadãos europeus e gregos”.

Na lista de presentes estava inicialmente uma ilha grega, mas a opção foi retirada depois de Thom Feeny ter recebido um e-mail de uma mulher grega a considerar a recompensa ofensiva. “Pensei que o Sr.Tsipras concordaria de bom grado mas a IndieGoGo enviou-me uma mensagem a dizer que o governo grego não tinha concordado oficialmente com esta proposta”, escreve.

O jovem britânico, que nunca pensou estar a receber tanta atenção mediática, está convencido que esta é uma tentativa de fazer algo pela Grécia. “Podemos ajudar os nossos primos gregos comprando os maravilhosos produtos da Grécia, como o queijo feta, as azeitonas ou o vinho. E considerar o país como um destino de férias. É esta a ideia por trás de cada recompensa. O comércio irá ajudar a Grécia e o povo grego a sair da actual situação”, disse.

O crowdfunding é uma acção de cooperação colectiva online em que pessoas financiam iniciativas e projectos que podem ser lucrativos ou não.

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