Metro Mondego diz que agiu legalmente quanto a gastos de ex-administradores

Seis ex-administradores são arguidos por administração danosa. Cartões de crédito da empresa pública pagaram despesas pessoais e responsáveis duplicaram estudos e custos.

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Em quase duas décadas de existência, o projecto da Metro Mondego quase não saiu do papel ADRIANO MIRANDA

A Metro Mondego (MM) defende que foi legal a actuação do seu departamento financeiro quanto a milhares de euros da empresa pública gastos em despesas pessoais por ex-administradores que estão a ser investigados pelo Ministério Público. “Confirma-se a actuação, à data, dos serviços da MM, que se considera correcta e esclarece-se que nenhum dos actuais membros do conselho de administração está citado na matéria referida”, sublinhou a empresa num comunicado publicado no sábado à noite.

O PÚBLICO noticiou no sábado que seis ex-administradores, dois anteriores presidentes e quatro antigos vogais executivos são arguidos, num inquérito do Departamento de Investigação e Acção Penal de Coimbra em que estão em causa crimes de administração danosa, peculato e participação económica em negócio, que terão ocorrido entre 2004 e 2010.

Em quase duas décadas de existência, o projecto da Metro Mondego quase não saiu do papel, mas das suas contas saíram cerca de 100 mil euros que ex-administradores usaram em despesas pessoais pagas com cartões de crédito da empresa pública, segundo o processo ao qual o PÚBLICO teve acesso.

A MM espera que o caso seja rapidamente decidido pela justiça, “de modo a não perpetuar uma situação de repetida suspeita que pode pôr em causa o nome da instituição” e sublinha ser essencial que sejam “definidos os termos de conclusão do projecto e reiniciados os trabalhos”.

Num caso, um dos administradores usou o cartão de crédito, que lhe tinha sido distribuído pela empresa para despesas inerentes ao cargo, para gastar 72 mil euros em jogos de computador, perfumes, artigos de decoração, estadias em hotéis, compras no supermercado, vinho, material de surf, serviços numa empresa organizadora de eventos e uma conta de 139 euros no bar de striptease Elefante Branco, em Lisboa. No relatório da investigação, a PJ salienta que os cartões foram “usados despudoramente”. Outro administrador pagou 27 mil euros com o cartão de crédito da empresa.

Foi o próprio departamento financeiro da Metro Mondego que detectou a situação e informou os administradores que as despesas, não tendo justificação profissional nem tão-pouco existindo os respectivos recibos, eram pessoais. Por isso, os dois viriam a devolver o valores, mas não de forma total, e vários anos após saírem dos seus cargos. Um deles fê-lo em 2010, três anos após deixar funções.

“Os factos retratados ocorreram num período entre 2004 e 2006 (em relação à utilização de cartões) e 2009 (em relação a concurso e contratação de estudo)”, acrescenta a empresa, lembrando que se trata de “questões referidas no relatório do Tribunal de Contas de 2011”, como já fora noticiado.

Em causa no processo está ainda o facto de a empresa ter encomendado em 2010 dois estudos por ajuste directo a duas firmas privadas com o mesmo objectivo: procurar saber os custos operacionais da Sociedade Metro Mondego. Contratou uma empresa à qual pagou 60 mil euros e, sem esperar pelas conclusões, pediu igual estudo a outra à qual pagou 55 mil euros. “Valores sempre superiores ao previsto inicialmente pela Metro Mondego”, sublinha PJ no relatório final da sua investigação. No total, a Metro Mondego duplicou as despesas em relação ao mesmo objectivo: 115 mil euros.

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