Luís Seara Cardoso
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Luís Seara Cardoso

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Sevens: dois em um

Defrontar a França em Londres é uma oportunidade a não rejeitar: uma vitória permitirá criar uma vantagem psicológica na corrida aos Jogos Olímpicos

A missão da equipa de sevens de Portugal na última etapa do Sevens World Series (SWS) que se realiza neste fim-de-semana em Twickenham, Londres, é fácil de definir: garantir os pontos suficientes para que a classificação final seja melhor do que a do Japão. Ponto.

 

Acontecendo assim, o principal objectivo português da época de sevens - manutenção, como equipa residente, no SWS da próxima época - será cumprido.

 

No entanto - e provavelmente por causa da entrada da variante nos Jogos Olímpicos - a apetência pelo acesso ao lugar de residente são cada vez maiores e, mais tarde ou mais cedo, haverá alterações na forma que poderão levar até ao aumento anual do número de relegação de equipas.

 

O que significa que a competitividade do SWS irá aumentar e atingirá níveis que nos obrigará à reorganização da nossa forma de participação - as alterações e adaptações, como os acordos com os clubes ou compensações financeiras ultimamente realizadas, não serão suficientes e será necessário novo salto que permita atingir os patamares competitivos de, pelo menos, da metade inferior dos adversários.

 

Para se perceber do que falo conto uma história. Num curso sobre sevens da então IRB fui nomeado líder de um grupo do qual fazia parte o treinador russo da equipa de sevens que, agora, se qualificou como residente para a próxima época do SWS. O tema era o de preparação, programação, calendarização e logística de uma equipa para um grande torneio - a primeira intervenção pertenceu ao russo que fez uma enorme lista de exigências que obrigavam a enorme suporte financeiro. Interrompi-o e disse-lhe: um momento, primeiro temos que saber de que orçamento dispomos, disse. E tive como resposta: “Não quero saber, será o que for preciso - quero é ser apurado para os Jogos Olímpicos!”

 

E este é um dos adversário directos que teremos quer na próxima época, quer no apuramento para o Rio 2016...

 

Mas se a manutenção é o objectivo principal da nossa participação na etapa de Londres, podemos procurar ir mais longe e transformar esta última etapa numa vantagem futura. Uma espécie de dois em um.

 

No Grupo D em que Portugal se encontra tem como adversário, para além da África do Sul e dos Estados Unidos, a França, principal adversário do apuramento para os Jogos na disputa do "Europeu" das três etapas do Grand Prix Series.

 

Uma vitória sobre a França - que embora concordante sobre o abuso da participação das equipas britânicas mas que se recusa a levantar a voz porque não quer disputar o apuramento numa única etapa, para mais em Lisboa, casa dos seus principais adversários, argumentam... - constituiria uma vantagem para Portugal  e um problema para os franceses que nunca mais apareceriam com a confiança suficiente nos jogos que disputássemos no Europeu.

 

O facto de Portugal ter de defrontar a França no Grupo de Londres é uma oportunidade a não rejeitar: uma vitória que, para além de, provavelmente e no mínimo, permitir, no crucial primeiro jogo do segundo dia, defrontar o adversário pior classificado do Grupo A, permitirá ainda criar uma vantagem psicológica sobre os franceses que poderá ajudar na difícil procura do difícil caminho para o Rio.

 

Não tendo tido uma prestação desportiva de bom nível na etapa de Glasgow - apenas a vitória com a Rússia que pode ter um papel idêntico ao que uma vitória sobre a França poderá produzir - a selecção de sevens de Portugal tem que encontrar de novo a atitude que permitiu explorar as suas capacidades que proporcionaram o empate com a Nova Zelândia e a vitória sobre a Austrália. E um apuramento para a Cup, para além de nos libertar definitivamente de qualquer problema de manutenção da SWS, seria uma óptima demonstração das nossas intenções e possibilidades de participar nos Jogos Olímpicos.

 

A palavra pertence agora, lançados que estão os dados, aos jogadores. À vitória!