Henrique Neto vai exigir respostas dos partidos para questões estratégicas

Candidato presidencial reuniu-se com o PSD e tem encontro marcado com o PS para terça-feira. O empresário critica a proposta socialista para a TSU.

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Rui Gaudêncio

Por isso, nos próximos meses e antes das eleições para a Assembleia da República, os partidos políticos serão confrontados por Henrique Neto sobre as suas opções para uma estratégia de desenvolvimento sustentável e o candidato avisa que terão que ser “respostas concretas” para dar a conhecer aos portugueses. “Isso constituirá o meu contributo para que os partidos valorizem o debate eleitoral e digam a verdade sobre o país”, escreve o candidato numa declaração política que esta segunda-feira entregou ao PSD, onde foi recebido por Marco António Costa, José Matos Correia e José Matos Rosa.

À saída, questionado pelos jornalistas sobre se daria posse a um executivo minoritário, o candidato não deu uma resposta directa. Mas avisou: "Se um Governo minoritário, comigo na Presidência, não correspondesse ou não resolvesse os grandes problemas nacionais, ou se não estivessem pelo menos bem anunciados ou não tivessem sido discutidos na campanha eleitoral, eu teria de tirar daí as necessárias consequências." E sobre as alianças ou compromissos, Henrique Neto defendeu ser “desejável um consenso entre os partidos, dependendo dos resultados das eleições”.

Ao PSD, Henrique Neto deixou um conjunto de documentos sobre o sistema político, a sua visão estratégica para o país nos próximos 15/20 anos e ainda outra sobre o crescimento económico. “É uma visão integrada de desígnio nacional que devia interessar a todos os partidos”, resumiu ao PÚBLICO.

Na declaração política, Henrique Neto defende a necessidade de os partidos serem capazes de oferecer uma “perspectiva séria e positiva sobre o futuro”, consensualizando uma “estratégia de desenvolvimento” partilhada para o país e definindo políticas sectoriais que promovam o investimento privado para aumentar as exportações para, pelo menos, 60% do PIB em cinco anos.

O candidato pretende também uma reforma no funcionamento do sistema político que privilegie a estabilidade das políticas. A que soma a urgente necessidade de alteração das leis eleitorais – como por exemplo a substituição das listas fechadas dos partidos pela possibilidade do voto nominal, para que os deputados “representem, de facto, os eleitores” -, do reforço dos mecanismos de prevenção e combate à corrupção, a incompatibilidade entre o exercício da actividade política e a gestão de interesses económicos.

Nessa filosofia da transparência e do compromisso público com os eleitores, Henrique Neto vê com bons olhos o facto de o PS ter anunciado com tempo um esboço do seu programa que é o documento Uma Década para Portugal, assim como o Plano de Estabilidade e o Plano Nacional de Reformas do Governo PSD/CDS – que irá condicionar o seu programa eleitoral conjunto.

“São um passo positivo no caminho do esclarecimento dos eleitores até às eleições. No passado não havia papéis tão quantificados e tendencialmente rigorosos.” Porém, avisa, “este tipo de documento não se deve ficar pela contabilidade do deve e do haver, porque isso restringe o debate sobre a economia e o crescimento económico. Os dois partidos fizeram uma métrica sobre défice e PIB, uma contabilidade. Mas para que haja crescimento da economia tem que se mexer no modelo económico. O crescimento da economia tem que vir de novos factos, de mudança - mas não está nos dois documentos como se cresce.”

Críticas à TSU do PS
Esta terça-feira Henrique Neto reúne-se com o presidente do PS, Carlos César. Para além destas questões estará também outra mais específica: a da descida da TSU, propostas pelos socialistas no seu cenário macroeconómico “Uma Década para Portugal”.

“Não concordo como modelo de redução da TSU do PS. A redução da TSU deve ser feita para empresas de mão-de-obra intensiva, de sectores de bens transaccionáveis. E aumentada em valor equitativo para as empresas de capital intensivo, que empregam menos pessoas. Ou seja, devemos usar a TSU como instrumento de política económica e melhorar a competitividade dos sectores necessários para a exportação”, defende Henrique Neto. Porque “reduzir para todos é, em princípio, bom para a economia, mas é mau para a Segurança Social”.

“O sector dos bens não transaccionáveis tem sido o parente rico da economia portuguesa, com rendas e contratos vantajosos com o Estado. Seria uma forma de recuperar para a Segurança Social dinheiro que andaram a receber do Estado estes anos todos”, remata o empresário.