Torne-se perito

Outra banda desenhada no Próximo Futuro

Programa inicia-se a 15 de Maio na Gulbenkian com um debate entre os autores Anton Kannemeyer, Posy Simmomds e Marcelo D'Salete.

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A BD furiosamente anti-colonial do sul-africano Anton Kannemeyer já chegou cá DR

A banda desenhada volta a ser um dos temas do Próximo Futuro, o programa cultural concebido por António Pinto Ribeiro para a Fundação Calouste Gulbenkian (FCG). No próximo dia 15 de Maio, às 15h, no Auditório 3 da FCG, Anton Kannemeyer (África do Sul), Posy Simmonds (Inglaterra) e Marcelo D'Salete (Brasil) vão ser os protagonistas de um debate que procurará compreender os modos de produção deste campo artístico, mas também os diálogos e as reflexões que ele estabelece com o tecido cultural global.

Anton Kannemeyer e Marcelo D’ Salete não serão desconhecidos dos leitores do Ípsilon. Apreciámos um livro do primeiro, Papá em África (editado pela Chili Com Carne), e contámos com a colaboração de D'Salete num dossier sobre os quadrinhos brasileiros. Já Posy Simmonds trabalha desde os anos 70 em tiras de banda desenhada e é, também, autora de inúmeros livros infantis. Da sua obra, destacam-se duas BD que, antes de chegaram ao formato livro, foram publicadas no jornal The Guardian: Gemma Bovery (2005), uma reapropriação desopilante da personagem feminina eternizada pelo escritor Gustave Flaubert, e Tamara Drewe (2008), inspirada num romance de Thomas Hardy e que seria levada ao cinema por Stephen Frears.

A diversidade de registos formais e de percursos desta constelação internacional pretende ilustrar a expansão da banda desenhada em termos de peso cultural e capacidade de reflexão. O encontro terá a moderação do crítico e estudioso Pedro Moura e integra a secção Outras Literaturas do Observatório de Africa, América Latina e Caraíbas que regressa dia 16, no mesmo auditório, com sessões dedicadas à literatura policial e à ficção científica. Refira-se ainda a publicação de uma banda desenhada da autoria de Francisco Sousa Lobo (um autor português a seguir e a descobrir) no jornal do encontro. Trata-se uma excelente porta de entrada para uma conversa que promete aproximar os leitores de histórias e movimentos que hoje animam a BD. Muito para lá de nostalgias juvenis e preconceitos velhos.

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