Beleza acredita que o resultado na Madeira seria diferente com primárias

Ex-secretário nacional do PS poupa Costa e defende que a escolha dos deputados à Assembleia da República não deve ser feita apenas pelos órgãos do partido.

Álvaro Beleza diz ter “muita honra em estar nesta direcção”
Foto
Ex-dirigente do PS anunciou a sua intenção de candidatura no Facebook Nuno Ferreira Santos

O magro resultado que o PS obteve nas eleições regionais da Madeira fizeram tocar as campainhas e nas redes sociais apoiantes do ex-líder socialista António José Seguro puseram em causa o empenho do partido e o respeito pela autonomia regional da actual liderança.

António Costa já afastou qualquer contaminação nacional dos resultados da Madeira - com a coligação liderada pelo PS a ficar-se pelos 11,41%, o seu pior resultado de sempre na região autónoma -, e ninguém parece verdadeiramente empenhado em encostar Costa à derrota de domingo.

Álvaro Beleza, ex-secretário nacional do partido, afirma que quando “o PS perde perdemos todos”, mas as suas declarações acabam por poupar o líder. “As eleições na Madeira são um combate muito desigual e muito difícil para o PS, que defronta um partido que tem somado maiorias absolutas sucessivas”, afirma Beleza, que, a quente, apresenta como principal razão para este resultado o facto de os socialistas “não terem conseguido polarizar à sua volta todos os movimentos de cidadãos e todas as vontades que estiveram nas autárquicas em oposição ao Governo”.

Mas a esta razão acrescenta uma outra. Álvaro Beleza está convencido que os resultados seriam diferentes se o candidato do PS a primeiro-ministro tivesse introduzido na Madeira o processo de primárias para a escolha do candidato a presidente do governo regional e dos deputados”.

“A responsabilidade é, porventura, não ter influenciado o PS-Madeira a tomar esse caminho”, aponta, reconhecendo que se António Costa fosse por esse caminho seria, obviamente, acusado de “estar a fazer um ataque ao segurismo”, uma vez que Victor Freitas, o candidato que disputou as eleições no domingo, foi apoiante do ex-secretário-geral.

Sucede que os estatutos do PS-Madeira não prevêem a realização de primárias, como sucede no PS nacional. Este processo, que obrigou a uma alteração estatutária, foi introduzido no partido durante o consulado de Seguro. Ao ser derrotado nas primárias por António Costa, Seguro acabaria por se demitir do cargo conforme prometera e afastar-se da vida político-partidária activa.

Com as eleições legislativas no horizonte, o ex-secretário nacional do PS desafia o líder do partido a aplicar as primárias. “Transpondo isto para o plano nacional, acho que as escolhas dos deputados do PS a apresentar às eleições devem ser os melhores para representar o país e essa escolha deve sem feita através das primárias”, afirmou em declarações ao PÚBLICO.

“Para mim, essa escolha não deve ser só feita apenas pelos órgãos do partido, mas também pelos cidadãos e, portanto, defendo eleições primárias para a designação de deputados à Assembleia da República. Assim como o candidato a primeiro-ministro do PS foi escolhido em eleições primárias os candidatos a deputados também o devem ser”, proclamou.

O dirigente socialista, que tem andado um pelo país a falar com os militantes e nos contactos que tem feito tem insistido na ideia de haver primárias na altura da escolha dos candidatos a deputados.

Recentemente esteve em Matosinhos – um terreno difícil para o PS, que nas últimas autárquicas perdeu a câmara para o agora independente Guilherme Pinto – a expor as vantagens das primárias, mas reconhece que o aparelho do partido não é sensível a este novo modelo.

Beleza dá conta das dificuldades em ser líder da oposição - “é muito difícil” e sublinha que “o papel de qualquer socialista é ajudar o líder do partido a ganhar eleições e ter maioria”, mas - frisa que para lá chegar são precisas duas coisas: “Por um lado, fazer eleições primárias para galvanizar e mobilizar à volta do PS todo um eleitorado e todo os cidadãos e movimentos independentes que connosco se mobilizem num futuro governo de Portugal e, por outro lado, penso que o partido deve passar uma imagem reformista”.

Nas entrelinhas deixa um conselho a Costa: “O PS tem de ser reformador do Estado, tem que simplificar o Estado, mas também tem de ser claro na reforma do sistema político com a introdução e ciclos uninominais”.

Sugerir correcção