Envenenado cão do juiz Carlos Alexandre

Situação estará a ser averiguada por polícias envolvidos na segurança do magistrado para se perceber se o acto constitui ou não uma ameaça indirecta séria. Animal terá sido envenenado com remédio para ratos misturado em comida atirada para o quintal da casa.

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Carlos Alexandre Rui Gaudêncio

O cão do juiz de instrução criminal Carlos Alexandre morreu na semana passada envenenado, noticiou esta quinta-feira a revista Sábado e confirmou o PÚBLICO. O episódio, segundo fonte policial, estará a ser averiguado pela PSP, nomeadamente por agentes responsáveis pela segurança daquele magistrado. No âmbito da averiguação, agentes do Corpo de Segurança Pessoal da PSP tentarão perceber se o acto constitui ou não uma ameaça indirecta séria a Carlos Alexandre.

O animal morreu envenenado com remédio dos ratos que terá ingerido há já algumas semanas. Durante todo este tempo, o cão agonizou e acabou por morrer esta semana. Suspeita-se que alguém tenha atirado para o quintal da casa do juiz um alimento misturado com aquele tipo de veneno.  

Há vários anos que Carlos Alexandre, que lida há décadas com processos mais complexos de criminalidade violenta e económico-financeira, está habituado a situações de ameaça indirecta.

Foi a partir de 2005 que surgiram as primeiras ameaças que o obrigaram a passar a andar com segurança pessoal da PSP. Por essa altura, quando um dia voltou a casa, em Oeiras, de regresso do trabalho no tribunal, encontrou uma pistola pousada em cima da fotografia dos filhos. Não levaram o ouro que havia em casa, mas vasculharam papéis. Também então a mulher foi atropelada nas imediações do emprego.

A avaliação feita então pela polícia considerou que a ameaça era clara e a decisão foi não correr riscos. Riscos que se foram atenuando, tendo, por isso, a protecção sido mais tarde suspensa. Só em Março de 2014 a segurança foi de novo reactivada perante algumas suspeitas do próprio relativamente a movimentações suspeitas de automóveis na sua área de residência, garantiu fonte policial ao PÚBLICO.

Já em Dezembro de 2014, depois de ter decretado a prisão preventiva ao ex-primeiro-ministro José Sócrates, a PSP ponderou reforçar a segurança pessoal do juiz. A medida seria extensível aos familiares mais directos do juiz e foi equacionada no contexto dos vários processos judiciais sob a sua responsabilidade. A PSP concluiu, porém, que o nível de segurança era suficiente.

Em causa estavam tanto os casos mais recentes e polémicos relativos a criminalidade económico-financeira, como outros relativos a criminalidade violenta e organizada que são menos mediáticos.

A segurança atribuída é analisada periodicamente pelo Corpo de Segurança Pessoal, que faz parte da Unidade Especial de Polícia da PSP, e pelo Serviço de Informações de Segurança que avaliam o risco da ameaça juntamente com o juiz. Há, por isso, uma rotina que caracteriza a avaliação.

Além do processo em que José Sócrates está indiciado por fraude fiscal qualificada, corrupção e branqueamento de capitais – foi a primeira vez na história da democracia portuguesa que um ex-primeiro-ministro foi detido –, são vários os processos de grande sensibilidade que passaram por Carlos Alexandre.