Algarve cria barra energética de alfarroba

A alfarroba, amêndoa e figo estão na base da criação de uma nova barra energética, apresentada nesta terça-feira, no Pólo Museológico dos Frutos Secos, em Loulé.

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O produto agora anunciado e desenvolvido nos laboratórios da Faculdade de Engenharia Alimentar da Universidade do Algarve (Ualg) andou cerca de dois a ser testado junto dos consumidores. O resultado, diz João Ministro, promotor da barra energética de Querença – BEQ, “foi extraordinário". Ainda não tem preço, mas "já há muitas encomendas”, acrescentou.

A criação da BEQ surgiu no decorrer do Projecto Querença, uma iniciativa da Fundação Manuel Viegas Guerreiro e da Ualg, quando, há dois anos, nove jovens licenciados, com diferentes formações académicas, foram viver para a aldeia de Querença, para porem em prática os seus conhecimentos científicos.

Romilson Brito, a concluir um mestrado na Faculdade de Engenharia da Ualg, foi um dos responsáveis pela criação da BEQ. Uma das modificações que introduziu ao produto inicial, disse, tem a ver com as percentagens dos ingredientes, "para lhes dar outra consistência”. O processo, frisou, “obrigou a muitos testes laboratoriais e cálculos matemáticos”.

O trabalho inicial da barra enérgica foi desenvolvido por Dulce Almeida, uma das nove estudantes do Projecto Querença, que, em 2013, procuraram encontrar novas pistas para acrescentar valor aos produtos tradicionais do Algarve – lançando ao mesmo tempo ideias para inverter a tendência para a desertificação que se verifica no interior do país. O que Romilson Brito fez foi dar continuidade aos estudos, fazendo novas experiências e incorporando sugestões que foram aparecendo. Uma delas, explicou, prende-se com o sal. “Os atletas aconselharam a juntar uma pitada de sal, para reter os líquidos, mas o contraste dos sabores, doce e salgado, acabou por dar um bom equilíbrio.”

As barras que vão ser comercializadas terão dois tamanhos, de 25 gramas (100 Kcal) e 50 gramas (200 Kcal, mais ou menos o equivalente a uma bifana). Do conjunto dos sabores, com produtos do barrocal algarvio, destaca-se a alfarroba e a amêndoa – um fruto que tem vindo a registar um grande declínio de produção. Na última década, o Algarve perdeu cinco mil hectares de cultivo desta espécie. Por outro lado, a Espanha quase duplicou a produção no último meio século.