Sequóia abatida em Julho já tem substituta

Existem, agora, no Porto, três exemplares desta espécie

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Fernando Veludo/nfactos

O Jardim do Carregal, no centro do Porto, voltou a ter uma sequóia. Depois de, em Julho do ano passado, ter sido retirada uma árvore da mesma espécie que há muito se encontrava morta, esta quinta-feira foi plantada outra no mesmo espaço.

A nova árvore, com cerca de três metros, vem substituir a centenária sequóia-gigante, Sequoiadendron giganteum, que, durante muito tempo acompanhou e deu sombra a diversas gerações que passeavam ou descansavam no jardim. Filipe Araújo, vereador do Pelouro da Inovação e Ambiente da Câmara Municipal do Porto, espera, “daqui a uns anos, ter aqui uma sequóia que nos faça lembrar a antiga na sua dimensão”.

Para celebrar, de forma simbólica, a plantação da nova árvore, os alunos de mestrado em Arte e Design para Espaços Públicos da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP) recriaram a performance Walking Trees. A apresentação consistiu num grupo de cinco estudantes que, simbolizando árvores, vaguearam pelo jardim, partindo de uma ideia — “E se as árvores andassem?”, explica Gabriela Pinheiro, professora da instituição. A performance foi o resultado de uma parceria com Flávio Rodrigues, coreógrafo do Balleteatro, e já tinha sido apresentada anteriormente no Festival Corpo+Cidade.

Na altura em que a sequóia centenária foi abatida, a Câmara Municipal garantiu que ia voltar a plantar, nesse jardim, um exemplar da mesma espécie. Ontem cumpriu o que tinha prometido.
Já em 2013, o vereador Filipe Araújo admitia que a sequóia ia ser abatida mas que o seu “grande interesse patrimonial” fazia com que a Câmara celebrasse “um protocolo com uma instituição universitária” para criar um “projecto de memória deste exemplar”.

Desse modo, enquanto o local esteve vazio, a Câmara promoveu intervenções que foram desenvolvidas pela FBAUP. Gabriela Pinheiro explica que se realizaram “performances, intervenções temporárias e uma exposição” com carácter performativo e temporário — a Soft Monuments. A mensagem principal que pretendiam transmitir era que “uma árvore nunca é só uma Árvore”, como é indicado no resumo do projecto.

Agora, com a reposição de um exemplar da espécie, as intervenções terminam e retira-se o último painel fotográfico presente no local. “É o topo da antiga sequóia”, da autoria da aluna Cristiana de Sousa, que representava a memória da sequóia abatida. Agora, com a plantação da árvore, é como se tivesse havido “uma passagem de testemunho”, adianta a professora da FBAUP.

Até ao momento, só existiam dois exemplares na cidade: nos jardins de Serralves e no da Cordoaria.

Texto editado por Ana Fernandes