Twitter esforça-se para evitar estagnação de utilizadores

Resultados financeiros melhoram, mas ritmo de adopção da plataforma abrandou.

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O Twitter tem-se desdobrado em novas funcionalidades, para aumentar o envolvimento dos utilizadores, conquistar mais pessoas e tranquilizar os investidores. Mas o ritmo de adopção da plataforma está a abrandar e, no último trimestre, a empresa conseguiu apenas quatro milhões de novos utilizadores activos.

No final de 2014, o Twitter tinha 288 milhões de utilizadores com actividade mensal, um aumento de 20% face a 2013, mas uma ténue subida de 1,4% em relação ao terceiro trimestre. Os números foram revelados nesta quinta-feira, na apresentação de resultados anuais. A empresa disse esperar que o ritmo de aquisição de novos utilizadores venha a aumentar nos próximos meses.

Numa teleconferência para jornalistas e analistas, o presidente executivo, Dick Costolo, reconheceu o problema, ao afirmar haver 500 milhões de pessoas que visitam o site todos os meses, mas que acabam por não se registar. Para esses, o Twitter passará a apresentar uma página com conteúdos seleccionados por um algoritmo, que poderão ser vistos sem necessidade de registo. Esta página já tem estado a ser testada.

O desempenho financeiro contrabalançou o fraco crescimento. As receitas anuais duplicaram, para 1403 milhões de dólares (1223 milhões de euros), ao passo que as receitas do último trimestre atingiram 479 milhões, quase o dobro do mesmo trimestre de 2013. A empresa apresentou 577 milhões de dólares de prejuízos anuais, abaixo dos 645 milhões de 2013. Nos últimos três meses do ano, os prejuízos foram de 125 milhões, muito menos do que os 512 milhões do trimestre homólogo.

O Twitter pode ser um ambiente confuso para quem chega. As mensagens publicadas são intercaladas com conversas públicas de outros utilizadores. A limitação de caracteres levou à abundância de siglas e abreviações. Mesmo o uso de algumas funcionalidades não é inteiramente claro – por exemplo, assinalar uma mensagem no Twitter como favorita funciona para alguns como um “gosto” no Facebook, e para outros como uma forma de a guardar para referência futura. Este género de ambiguidades fez com que imensos utilizadores assinalem nos respectivos perfis que quando republicam a mensagem de alguém – quando fazem um retweet, na gíria da rede – não estão necessariamente a concordar e a recomendar o conteúdo.

A empresa anunciou nos últimos tempos várias novas funcionalidades. Muitas, porém, são muito recentes, algumas ainda estão em fase de lançamento, e os eventuais resultados não estão reflectidos nos resultados de 2014. Por exemplo, os novos utilizadores passaram a ter uma cronologia instantânea, o que significa que não precisam de se dar imediatamente ao trabalho de escolher contas para seguir. As mensagens consideradas mais relevantes e que escaparam aos utilizadores quando estes estão fora do serviço voltam a ser mostradas. Passou a ser possível gravar, editar e publicar vídeos através das aplicações. As mensagens privadas podem ser feitas em grupos e não apenas entre dois utilizadores.

O Twitter fez também um acordo com o Google para que as mensagens dos utilizadores surjam nos resultados do motor de busca mais rapidamente. Aquelas publicações já são pesquisáveis, mas o Google passará a ter acesso directo ao fluxo de milhões de mensagens, reduzindo assim o tempo entre uma mensagem ser publicada e passar a estar disponível nas pesquisas.

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