Egipto inclui braço militar do Hamas na lista das organizações terroristas

Tribunal do Cairo justifica decisão com o alegado apoio da organização palestiniana à Irmandade Muçulmana.

Foto
Presidente do Egipto, Abdel Fatah al-Sisi, admitiu que a luta contra militantes islamistas na península do Sinai será "difícil e dura" AFP/HO/EGYPTIAN PRESIDENCY

        Um tribunal especial do Cairo decretou este sábado que o braço armado do grupo palestiniano Hamas fosse incluído na lista das organizações consideradas terroristas pelo Governo do Egipto, uma decisão que levou a Autoridade Palestiniana a rejeitar a presença dos representantes do país como mediadores nas negociações de paz com Israel.

“Depois desta deliberação, o Egipto deixou de ser um mediador nas questões israelo-palestinianas”, informou um porta-voz do Hamas à Reuters. Os negociadores egípcios tiveram papel fundamental na assinatura de vários acordos de cessar-fogo entre Israel e o Hamas.

“O tribunal decide proibir as brigadas Iz al-Din al-Qassam, que são declaradas uma organização terrorista”, anunciou o juiz, encarregado de decidir com carácter de urgência sobre uma denúncia sobre o alegado apoio do Hamas aos ataques terroristas na península do Sinai.

As autoridades egípcias responsabilizam o Hamas pelo contrabando de armas da Faixa de Gaza para a região do Sinai. Na quinta-feira, um ataque à bomba resultou na morte de 32 soldados e polícias, levando o Presidente Abdel Fatah al-Sisi a convocar o Conselho Supremo das Forças Armadas para uma reunião de emergência, que resultou na assinatura de um decreto presidencial para a constituição de um novo comando militar para a região.

A zona Norte do Sinai está sob o estado de emergência e com ordem de recolher obrigatório desde Outubro. Mas as frequentes operações militares contra o levantamento armado não têm surtido o efeito desejado.

Sem se referir à deliberação do tribunal do Cairo, o Presidente pronunciou-se sobre a multiplicação de ataques violentos de militantes islamistas alegadamente associados ao Estado Islâmico no Sinai. “Esta batalha será difícil e dura, e durará muito tempo”, estimou.

Por outro lado, o Hamas, que controla a Faixa de Gaza, tem origem na confraria da Irmandade Muçulmana

— a organização do Presidente deposto, Mohamed Morsi, e entretanto ilegalizada e considerada terrorista no Egipto. O Hamas é considerado uma organização terrorista nos EUA e em Israel.