Câmara da Figueira da Foz sugere a criação de recifes artificiais

Proposta da câmara é alternativa à sugerida no relatório do Grupo de Trabalho do Litoral, para proteger a costa.

Praia de Quiaios, Figueira da Foz.
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Praia de Quiaios, Figueira da Foz. Carla Carvalho Tomás / Arquivo

A Câmara da Figueira da Foz sugeriu nesta segunda-feira a criação de recifes artificiais para a protecção da costa e criticou as soluções apresentadas pelo Grupo de Trabalho do Litoral, criado pelo Governo.

Num documento enviado à agência Lusa, a autarquia propõe que se opte por fazer barreiras de recifes artificias ou esporões paralelos à costa para protecção da linha costeira tendo ainda como vantagem "a reprodução de diversas espécies marinhas".

A posição da autarquia surge depois de o Grupo de Trabalho do Litoral (GTL), criado pelo Governo para apontar soluções para os problemas da orla costeira, ter apontado a hipótese de utilização da areia da praia da Figueira da Foz para abastecer praias a sul do Mondego ameaçadas pela erosão.

O relatório do GTL "reduz os mecanismos de protecção apenas à alimentação natural e artificial de sedimentos, o que parece ser escasso para a dimensão e complexidade do problema", sublinhou o executivo.

A sugestão da Câmara da Figueira da Foz daria uma "maior garantia de que os sedimentos não iriam ser encaminhados para o canhão da Nazaré, ficando retidos juntos às frentes já urbanizadas".

A autarquia tem dúvidas se uma solução de transporte de areias "frente à Figueira da Foz para outra localização, não colocará a frente urbana e o próprio porto" da cidade "em perigo".

A Câmara propôs-se a utilizar o areal "como infraestrutura cultural, desportiva e de lazer", consolidando-se "as areias com parques verdes constituídos por plantas autóctones e adaptadas", apontando o exemplo de Flórida, nos Estados Unidos, "onde as praias são antecedidas de parques multiusos".

"Existindo alguma necessidade de uma zona para empréstimo de areias para reposições a sul do molhe norte [do porto], o projecto apresentado contempla uma zona na praia que poderá servir este objectivo sem colocar em risco a segurança da zona urbana", defendeu.

O executivo criticou ainda o GTL por não ter consultado a Câmara da Figueira da Foz nem algumas "associações locais" no decorrer da elaboração do relatório.

A 26 de Novembro, a autarquia já tinha dito temer que a praia da cidade, o maior areal urbano da Europa, possa vir a desaparecer caso venha a ser utilizada para abastecer de areia várias praias a sul do Mondego.

"Disseram-nos que querem tirar 10 milhões de metros cúbicos de areia em seis anos, mas não dizem onde vão tirar nem como. Há o risco da praia desaparecer e a Figueira da Foz ficar exposta à erosão por causa da alimentação em massa que defendem", disse à agência Lusa a vereadora Ana Carvalho.