Impasse nas negociações obriga a esticar cimeira climática da ONU em Lima

Trabalhos prosseguem este sábado para tentar acertar os termos do rascunho para um novo acordo climático a firmar em 2015, em Paris.

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Protesto à margem da cimeira do clima em Lima Eitan Abramovich/AFP

Para evitar que os dez dias da 20ª conferência das partes chegassem ao fim sem um compromisso firmado, os trabalhos foram prolongados para além da sessão de encerramento e estendidos para o fim-de-semana. A necessidade de atender às reivindicações de todos os participantes obriga a mesa a apresentar uma versão “mitigada” da proposta original do Painel Intergovernamental das Alterações Climáticas – cujo presidente, Rajendra Pachauri, alertou para “o impacto profundo e terrivelmente grave” de um falhanço

“É absolutamente essencial reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, e quanto mais depressa melhor”, apelou. Os estudos científicos estimam que, se não forem tomadas quaisquer medidas, existe um risco de uma subida do nível da água do mar de um metro, que ameaça centenas de localidades costeiras, assinalou Pachauri.

No arranque dos trabalhos, prevaleceu o optimismo, após os Estados Unidos e a China, os dois principais poluidores mundiais, se terem comprometido com uma redução das respectivas emissões. Mas rapidamente se impôs o habitual braço de ferro entre os países mais industrializados e os países em desenvolvimento, com estes a reclamar de desigualdade de tratamento.

Entre vários pontos de discórdia, o impasse instalou-se por causa da resistência dos países mais ricos em financiar o chamado Fundo Verde, que distribuirá fundos para ajudar os países em desenvolvimento a suportar os efeitos das alterações climáticas. Nas negociações foram apenas conseguidos 10 mil milhões de dólares, ou seja, 10% do montante definido pela ONU de 100 mil milhões de dólares anuais a partir de 2020.

“É preciso definir um caminho para conseguir arrecadar o valor definido: faço um apelo aos países desenvolvidos para cumprir e superar esse objectivo”, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em Lima.

“Os países em desenvolvimento não aceitarão um acordo que não inclua a forma como os países ricos vão cumprir com a promessa dos 100 mil milhões de dólares, E os países desenvolvidos, pelo seu lado, continuarão a pressão para apagar qualquer referência no texto final que os comprometa a dar ajuda financeira aos pobres”, resumiu a Oxfam.