“Vitória de Nikos Romanos. Ele terminou a sua greve de fome”

Jovem grego recebe luz verde para estudar fora da prisão e termina protesto iniciado a 10 de Novembro.

Nikos Romanos quando foi preso em Fevereiro de 2013
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Nikos Romanos quando foi preso em Fevereiro de 2013 EUROKINISSI/AFP

Um jovem anarquista grego de 21 anos que estava em greve de fome desde 10 de Novembro terminou o seu protesto nesta quarta-feira, depois de o Parlamento grego ter respondido à sua exigência: o direito a estudar fora da prisão.

“Vitória de Nikos Romanos. Ele terminou a sua greve de fome”, noticiou o site Indymedia Grécia, que serviu nas últimas semanas de meio de comunicação dos apoiantes de Nikos Romanos, que já estava hospitalizado desde dia 28 num estado considerado grave.

O Parlamento grego tinha aprovado pouco antes uma emenda que permite aos detidos seguirem os seus estudos fora da prisão munidos de uma pulseira electrónica. Este modelo de detenção existe em princípio na Grécia, mas nunca foi aplicado a nenhum preso.

“Os condenados podem beneficiar de autorizações para estudarem fora da prisão com vigilância electrónica”, mas com a condição de terem cumprido um semestre de estudos por correspondência, disse o ministro da Justiça, Charalambos Athanissiou, no Parlamento.

A emenda votada nesta quarta-feira – numa altura em que o braço-de-ferro entre Nikos Romanos e o Governo já tinha ganho uma verdadeira dimensão nacional – recebeu a aprovação dos principais partidos da maioria e da oposição, uma unidade rara num clima político extremamente polarizado.

Condenado em 2013 a 16 anos de prisão por um assalto a um banco, juntamente com outros três jovens, Romanos obteve o seu diploma do ensino secundário em Junho e depois foi aprovado no exigente exame de entrada na Escola de Administração Empresarial de Atenas. O seu pedido para estudar fora da prisão foi recusado com o argumento de que ainda estará em curso um processo contra si.

O Ministério da Justiça tentou suavizar a decisão oferecendo a Nikos Romanos um curso por correspondência- mas este recusou. “Lutar até à vitória ou lutar até à morte”, disse na altura em que iniciou a greve de fome.

Em todo o país decorreram manifestações de apoio ao jovem detido que culminaram com um enorme protesto em Atenas no passado fim-de-semana que degenerou em confrontos violentos entre manifestantes e polícia.