Índia quer banir aplicação Uber depois de caso de violação

Motorista falsificou documentação com que se registou na empresa de transportes privados.

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Shiv Kumar Yadav, o motorista que violou uma mulher em Nova Deli AFP

"O Departamento de Transportes proibiu todas as actividades de serviços de transporte uber.com com efeito imediato", disse o município em comunicado nesta segunda-feira. Pouco depois desta posição, o Ministério do Interior decidiu que vai pedir a todos os nove estados onde a Uber oferece os seus serviços para banirem a aplicação, avançava o jornal Times of India.

Foi na sexta-feira que a mulher, de 26 anos, usou a aplicação para pedir um carro. A mulher, cuja identidade não foi revelado, pretendia ir para casa, mas a meio do caminho o motorista, Shiv Kumar Yadav, desviou-se do percurso e violou-a.

Yadav, que entretanto fugira, foi detido no domingo no estado do Uttar Pradesh, no Norte da Índia.

De acordo com a imprensa indiana, o governo de Nova Deli e as autoridades centrais querem abrir um inquérito para averiguar as actividades do Uber num país onde, em teoria, este tipo de serviço de táxis privado não é permitido por lei.

A polémica adensou-se com a notícia, confirmada pela polícia de Nova Deli, de que o certificado que o homem apresentou ao pedir para se registar no Uber é falso. Shiv Kumar Yadav já tinha sido acusado e condenado por violação em 2011. Depois de seis meses na prisão, o caso foi anulado e saiu em liberdade.

A empresa exige uma série de requisitos aos seus motoristas, mas este caso e outros semelhantes noutros países têm questionado a real capacidade da Uber para saber exactamente quem envia ao encontro dos clientes. No Brasil, por exemplo, e segundo a revista Veja, são muitos os motoristas registados no Uber com cadastro criminal.

O Uber ainda não comentou a notícia de que será banida da Índia. Logo após a notícia da violação, emitiu um comunicado: "O que aconteceu em Nova Deli é horrível. Toda a nossa equipa está ao lado da vítima deste crime deplorável".

A violação e a proibição de actividade que se seguiu poderá afectar a imagem da companhia — e o seu valor — e fazer baixar a procura dos serviços da empresa criada em 2009 e que rapidamente se tornou o serviço de transportes privados mais popular do mundo, com a aplicação a já estar em funcionamento em 250 cidades de 51 países. Na maior parte deles a operação é considerada ilegal pelas autoridades.

Recentemente, a empresa – que muitos analistas dizem ser um caso de sobreavaliação – recebeu um investimento de 1,2 mil milhões de dólares (972 milhões de euros) num acordo que a coloca na lista das startups mais valiosas do mundo, com um valor de mercado aproximado de 40 mil milhões de dólares (32,4 mil milhões de euros). Há escassos meses, em Junho, valia 17 mil milhões de dólares (13,7 mil milhões de euros).