Sobe e desce

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daniel rocha

O que mudou de um ano para o outro? O que faz uma escola estar bem posicionada no ranking e depois cair pela lista abaixo? A resposta é, quase sempre, a matéria-prima, os alunos; mas também os professores serem ou não colocados a horas, ou mudarem de escola constantemente. O que fazem as escolas para melhorar os seus resultados? Trabalham, procuram novas estratégias, sobretudo aquelas que, noutros lados, já tiveram sucesso.

SOBE
ES António Inácio Cruz
Grândola


Depois das aulas, ir à sala de estudo é um acto voluntário. Os alunos que quiserem podem fazê-lo e são muitos os que optam por esta solução. Este é um dos segredos para que a escola alentejana tenha melhorado os seus resultados no 9.º ano, acredita a directora Ângela Filipe. “É como um centro de explicações”, resume a dirigente do agrupamento com 1600 estudantes, o único em Grândola. Portanto, o único que recebe todos os alunos, sem distinção, reforça. Há um ano, a escola teve uma média negativa nos exames nacionais de Português e de Matemática do 9.º ano (2,12, numa escala de 0 a 5); desta vez a média subiu para os 3,18 e com mais alunos submetidos às provas das duas disciplinas (foram 33 em 2012/2013; no ano lectivo passado subiram para 36), fazendo-a subir 950 lugares. Além disso, existe a preocupação da continuidade pedagógica, ou seja, são os “professores que andam de um lado para o outro” e não os estudantes, continua a directora. Os estudantes contam que os mesmos docentes os acompanhem do princípio ao fim do ciclo. Para concluir, Ângela Filipe lembra que os alunos “fazem a diferença”. Neste caso, era um “grupo muito bom, com apoio familiar e que souberam aproveitar o apoio que a escola dá”. B.W.

DESCE
EB de Cristelo
Paredes


É a segunda escola que mais cai no ranking e ao sabê-lo, o subdirector Vítor Silva repete, várias vezes, ao telefone, que “foi um ano mau”. Parece não haver qualquer explicação possível, até que o dirigente decide responder por escrito. Esta é uma escola de Território Educativo de Intervenção Prioritária (TEIP), situada num meio desfavorecido, e sofreu uma “grande alteração” no corpo docente, umas “instabilidade que tem maior reflexo em escolas que tenham implementado estratégias mais ousadas". Mas esta não foi a única causa, houve uma diminuição da oferta formativa, justifica o responsável. No ano lectivo passado, os alunos tiveram uma média de 2,72; este ano os resultados a Português e Matemática cairam para 2,53, no 9.º ano, fazendo a escola descer da 311.ª posição para a 1045. Há um ano “houve um elevado número de modalidades de apoio, de forma a colmatar as dificuldades de aprendizagem”, escreve Vítor Silva, acrescentando que “os recursos alocados foram significativos”. Contudo, reconhece, “os resultados não são animadores, o que nos faz ter a consciência de que precisaremos de reajustamentos profundos na sua concepção e implementação” este ano, conclui o responsável. B.W.

SOBE
ES Campo Maior
Portalegre


Cerca de metade dos alunos da secundária de Campo Maior tem apoio social escolar. A taxa de conclusão no 9.º ano é de 79% mas é “para melhorar”, declara José Emílio Pernas, director do agrupamento alentejano, para quem um dos segredos para o sucesso dos alunos é ter os pais ao lado da escola; e dentro da escola, de preferência. “Tivemos sorte com a variável família”, confessa ao saber que Campo Maior foi dos agrupamentos que mais subiu de um ano para o outro no ranking do 9.º ano – de uma média negativa de 2,23 para uma positiva de 3,15; o que a fez galgar 799 lugares na lista e ser a 31.ª entre as que superam o Valor Esperado de Contexto (VEC). Os apoios aos alunos têm sido essenciais. Nos últimos anos, a escola teve os projectos Fénix e Turma Mais a funcionar – propostas em que os alunos são separados por níveis e onde há mais reforço em disciplinas como o Português e a Matemática. Esses projectos terminaram, mas Campo Maior vai adaptar o espírito dos mesmos: “Ao formar estes grupos, é bom para todos e todos ganham.” Agora, os pais são a aposta. Com uma associação de encarregados de educação dinâmica, com um grupo de voluntários que vai ter formação, o estabelecimento de ensino vai abrir à noite para uma escola de pais para que estes aprendam e possam transmitir aos filhos a importância da escola nas suas vidas. B.W.

DESCE
EB Santa Marinha
Vila Nova de Gaia


A básica de Santa Marinha faz parte do agrupamento António Sérgio, em Vila Nova de Gaia, e encontra-se numa zona onde "apanha as franjas da grande cidade", Gaia ainda é um dormitório do Porto, sintetiza Orlando Fernandes, subdirector do mega-agrupamento, com cerca de 3000 alunos. Santa Marinha fica-se pelos 520 estudantes no básico, filhos de famílias com "precariedade social e económica", de pais que "não valorizam a educação", define o responsável. A queda no ranking – em 2012/2013, os alunos do 9.º ano tiveram 2,79 de média nos exames de Português e de Matemática; no ano seguinte baixaram para 2,44, fazendo com que a sua escola tenha sido a que mais caiu do lugar 253 para 1131 – deve-se não só à dificuldade das provas mas, sobretudo, ao atraso na colocação e substituição dos professores. Matemática e Português foram as disciplinas que mais sofreram com estes atrasos e isso reflectiu-se, claramente, nas notas, identifica Orlando Fernandes. Agora, a escola está apostada em "melhorar os resultados todos" e, para isso, vai aplicar o Projecto Fénix – os alunos são separados em turmas de nível, de maneira a que os mais fracos seja apoiados de maneira diferente – aos 5.º e 7.º anos, ou seja, no início dos 2.º e 3.º ciclos. Os resultados não vão ser visíveis já no final deste ano, mas o agrupamento espera que no final de cada ciclo. B.W.

SOBE
ES Cardoso Lopes
Amadora


A indisciplina contribui para o insucesso dos alunos. Esta é uma certeza absoluta para Conceição Mateus, directora do agrupamento Cardoso Lopes, na Amadora. A escola levou mais alunos a exame que no ano anterior e subiu de uma média de 2,05 para 3,01, superando o seu VEC em 0,35. Há um ano estava na posição 1214, agora está na 342 no ranking do 9.º ano de todas as escolas públicas e privadas. A directora não fala de medidas de apoio, nem de continuidade pedagógica mas de disciplina. “Todos os anos, temos vindo a afinar as normas de disciplina.” Gradualmente vão sendo impostos novas regras. Não há bonés dentro dos pavilhões, nem nas salas de aula; não há saias demasiado curtas, nem calças descaídas; não há telemóveis em sala, quando estes são apanhados ficam apreendidos uma semana e quem os levanta é o encarregado de educação; quando há problemas no interior da sala, há uma equipa de professores pronta a intervir e que pode ser chamada para “acalmar” o aluno ou levá-lo para outra sala onde aquele vai trabalhar. Os jovens que não querem trabalhar na sala de aula têm de ficar na escola à tarde, duas horas, para “fazerem o que não fizeram e mais qualquer coisa”, enumera a directora. “É uma escola muito calma”, resume. E tudo isto – numa escola TEIP, “problemática”, com uma percentagem significativa de alunos de países de língua oficial portuguesa, mas também de outras partes do mundo –, contribui para a subida verificada? Sim, responde Conceição Mateus. “Se as aulas estiverem tranquilas, os professores conseguem dar a matéria.” Eis o segredo. B.W.

SOBE
ES de Arganil
Arganil


Anabela Santos até deixa escapar uma interjeição. A directora da secundária de Arganil não consegue esconder o entusiasmo quando percebe que os resultados dos últimos exames nacionais – uma média de 12 (numa escala de 0 a 20 valores) nas oito disciplinas que levam mais alunos a exame no final do secundário – fazem desta a sexta escola pública com melhores resultados no ranking daquele ciclo. “Já tínhamos verificado que estávamos acima do valor esperado, mas nunca fomos capazes de imaginar um resultado assim a nível nacional”, confessa. A escola subiu 133 posições e é a segunda que mais se supera em relação ao seu contexto socioeconómico. Para a directora, boa parte da responsabilidade é do corpo docente, “com grande estabilidade e experiência”. “Muitos dos professores das disciplinas que vão a exame são também classificadores”, explica. A isto junta o mérito dos alunos que se têm “empenhado” em traçar objectivos para o seu percurso escolar cada vez mais cedo. S.S.

DESCE
EBS das Flores
Açores


No espaço de um ano, a média dos exames do secundário na EBS das Flores, nos Açores, desceu um valor, fixando-se agora em terreno negativo (9,23). Fruto destes resultados, a escola sofreu uma queda acentuada no ranking de 366 lugares e está agora no fundo da tabela (ocupa o lugar 495 em 620 escolas). “Isto é tudo muito pequenino”, explica Iolanda Peixoto, presidente da direcção. Entre o 10.º e o 12.º anos, o estabelecimento de ensino tem apenas 70 estudantes inscritos. “Um aluno que se interesse pode fazer a diferença. E o que não se interessa também faz”, ilustra a responsável. E, nos últimos anos, Iolanda Peixoto tem notado que há cada vez menos alunos com intenção de prosseguir estudos para o ensino superior, o que acaba por condicionar os seus desempenho. Esta só pode ser a justificação possível para a queda na lista das secundárias do país. S.S.

SOBE
EBS de Vilar Formoso
Vilar Formoso


A criação do agrupamento vertical de escolas no concelho de Almeida, há quatro anos, é apontada pelo director Joaquim Pedroso como explicação para a melhoria de resultados verificada na EBS de Vilar Formoso. “Facilita a integração entre ciclos”, conta o responsável, segundo o qual “os resultados dos alunos nas provas têm sido uma preocupação constante” na definição do projecto educativo do agrupamento. Este ano, a escola de Vilar Formoso subiu 408 lugares no ranking do secundário, uma das melhorias mais acentuadas em todo o país, e passou a ter média positiva (10,6 valores). O dirigente reconhece, porém, que o número total de provas realizadas é “muito reduzido” (44), o que torna os resultados mais sugestíveis de reflectirem anos como este em que há turmas com melhores alunos. S.S.

SOBE
EBS de Macedo de Cavaleiros
Macedo de Cavaleiros


Este é o segundo ano consecutivo em que os alunos do ensino secundário da escola de Macedo de Cavaleiros se superam nos exames nacionais. Depois de uma subida de 105 lugares na listas das secundárias do ano passado, em 2014 voltam a escalar 68 posições. O resultado mostra uma melhoria gradual da prestação dos estudantes daquele concelho do distrito de Bragança. Ainda assim, o director da escola Paulo Dias tem consciência que “há anos irrepetíveis” e este foi um desses: “Tínhamos duas turmas fortes, com um conjunto de alunos muito bom e com objectivos muito claros”. Há três anos, este mesmo grupo já tinha colocado a escola entre as melhores das provas do 9.º ano. Agora, a sua prestação nos exames nacionais fazem da secundária de Macedo uma das 70 com os melhores resultados do país. Os estudantes também saíram beneficiados com estes resultados: um terço dos que concluíram este ano o secundário (11 estudantes) entraram em cursos de Medicina e 98% dos que se candidataram foram colocados na primeira fase de acesso ao ensino superior. S.S.

SOBE
EBS de Penalva do Castelo
Penalva do Castelo


Em Penalva do Castelo inverteu-se o ciclo. Depois de ter perdido 19 posições entre 2012 e 2013, o estabelecimento de ensino subiu agora 400 lugares no ranking do ensino secundário. Além disso, esta escola é a 11.ª a nível nacional que mais se supera tendo em conta os resultados esperados para o seu contexto socioeconómico. Para Rosa Figueiredo, directora da escola, a explicação pode estar na aposta que tem sido feita na orientação vocacional dos alunos, ajudando-os “a seguir um percurso mais adaptado às suas competências”. Hoje, metade dos estudantes estão em cursos profissionais, não sendo obrigados a realizar exames para concluir o secundário. “Há uma triagem dos alunos”, reconhece a dirigente. Os jovens que se inscrevem nos cursos científico-humanísticos chegam assim “com objectivos bem definidos” e “muito orientados pelas famílias e isso reflecte-se nas suas notas", identifica. S.S.