Oposição pede novas eleições e o fim dos vistos

Reacções à demissão do ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, anunciada este domingo.

Miguel Macedo ao anunciar a sua demissão este domingo
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MIguel Macedo, ex-ministro da Administração Interba Miguel Manso

Os partidos da oposição reagiram à demissão do ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, pedindo ora o fim do programa dos vistos gold, ora a convocação de eleições, e criticando “a falta de lucidez” do Governo ao tentar segurar ministros que não têm condições políticas para permanecer no cargo.

Para o PCP, o Presidente da República deve demitir o Governo e convocar eleições. “As consequências políticas são mais profundas”, justificou à Lusa o líder parlamentar comunista, João Oliveira.

Portugal vive, segundo João Oliveira, num ambiente de "degradação das instituições políticas", com "um Governo já sem qualquer credibilidade e sem legitimidade", o que "exige que o Presidente da República retire consequências políticas deste caso".

O Bloco de Esquerda considerou a saída de Miguel Macedo “normal” e “esperada”. Mas defendeu que o Governo deve pôr fim ao programa de vistos gold, que “não trouxe nada ao país a não ser um negócio escuro”, segundo disse à Lusa o dirigente Jorge Costa. O programa, afirma Jorge Costa, favorece “interesses totalmente alheios à população portuguesa” e “a especulação imobiliária”, não criando "um único emprego a não ser a afluência de grandes somas de dinheiro que circulam em circuitos indesejáveis".

Tanto o Bloco de Esquerda como o PS consideram que demissão de Miguel Macedo contrasta com os casos dos ministros da Educação, Nuno Crato, e da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, que mantêm-se em funções apesar das fortes críticas de que já não têm condições para exercer o cargo.

Marcos Perestrello, vice-presidente da bancada socialista, disse à Lusa que, mesmo na demissão de Miguel Macedo, o primeiro-ministro mostrou “falta de lucidez”.

“A lucidez política que o ministro Miguel Macedo teve ao perceber que não tinha condições para continuar a exercer o seu mandato contrasta com a falta de lucidez política do primeiro-ministro, que, numa primeira fase, entendeu que havia condições para que Miguel Macedo continuasse a exercer funções governativas", afirmou Marcos Perestrello. "Essa falta de lucidez política transmite-se a outros membros do Governo, que também não têm condições políticas para exercer as suas funções, casos dos ministros da Educação e da Justiça”.

O PSD, por sua vez, considerou que Miguel Macedo revelou "imensa dignidade" ao demitir-se por entender que tinha a sua autoridade diminuída, recusando fazer comparações com as situações de outros ministros.

"É, sublinho, uma atitude que revela uma imensa dignidade da parte do doutor Miguel Macedo", declarou o vice-presidente do PSD e deputado José Matos Correia, em declarações aos jornalistas, na sede nacional deste partido, em Lisboa.

Questionado se o PSD considera que há outros ministros que têm a sua autoridade diminuída, Matos Correia acusou a oposição, em especial o PS, de misturar "algos com bugalhos" e recusou comparações. "A situação do doutor Miguel Macedo foi gerada por um caso concreto, uma circunstância de que todos temos conhecimento. Não tem nenhuma relação com outro tipo de situações que dizem respeito a outros membros do Governo".

Já o líder parlamentar centrista, Nuno Magalhães, afirmou que o CDS-PP respeita as razões invocadas por Miguel Macedo para se demitir do Governo, mas lamenta a sua saída do executivo, no qual "assumiu sempre o espírito da coligação".

"Respeitamos as razões que invocou mas não deixamos de lamentar a sua saída", disse Nuno Magalhães numa declaração enviada à Agência Lusa.
De acordo com o presidente da bancada centrista, Miguel Macedo "foi um ministro que assumiu sempre o espirito da coligação no seu sector" e que "manteve a lei e a ordem com firmeza sem com isso precludir liberdades ou garantias".

Para o CDS-PP, Miguel Macedo "apesar de ter governado em tempo de crise muito difícil, conseguiu reduzir os níveis de criminalidade e teve sempre uma preocupação séria com o estatuto e a autoridade das forças de segurança".

O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, anunciou este domingo que se demitiu do Governo, na sequência das investigações às suspeitas de corrupção na atribuição dos vistos gold, que envolvem altos funcionários do seu ministério e de outras tutelas.

Para o ex-líder do PSD, Marcelo Rebelo de Sousa, o ministro da Administração Interna “fez bem” em se demitir. “Fez o que devia fazer”, afirmou Marcelo no seu comentário semanal na TVI. “Ele não tinha outro caminho e percebeu isso. Não havia nada de jurídico contra ele. Mas quadros muito importantes do seu ministério estão sob investigação, e também pessoas com quem se cruzou na sua vida. O que seria um ruído permanente, por exemplo, quando fosse ao Parlamento”, completou o comentarista político, que classificou Miguel Macedo como “um dos melhores ministros deste Governo, e numa pasta muito difícil”.