Está a nascer o maior instituto de astronomia de Portugal

Os dois principais centros de ciências do espaço do país fundiram-se para serem mais competitivos a nível internacional.

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O Observatório Astronómico de Lisboa é a casa do novo instituto na capital DR
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As instalações onde fica o Planetário do Porto é a casa no novo instituto no Norte DR
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A galáxia em espiral NGC 247 vista pelo telescópio de La Silla, no Chile ESO

Lisboa e Porto uniram-se na astronomia e os seus dois centros de investigação do Universo e do espaço estão a caminho de se tornarem um só – o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, que conta neste momento com um total de 90 cientistas, 27 dos quais alunos de doutoramento.

Anunciada esta quarta-feira em comunicado, a fusão entre o Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP) e o Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Lisboa (CAAUL) permite assim a criação do maior instituto de investigação do país nesta área. Mais de dois terços dos cientistas que trabalham em ciências do espaço em Portugal fazem agora parte do novo instituto, como refere o seu site.

A origem e evolução de estrelas e planetas, as galáxias, a cosmologia, a evolução do Universo e a instrumentação científica estão entre as principais áreas de investigação do novo instituto, que continua a manter os pólos de Lisboa e do Porto.

Os primeiros passos para esta junção remontam a 2007, quando as duas maiores instituições portuguesas de astronomia começaram a colaborar cientificamente. Em 2013 decidiram-se a avançar para a fusão e agora encontram-se em fase de transição para essa nova realidade. “Desde o final de 2013 que estamos a funcionar de modo crescente como uma única unidade – todos os projectos que temos feito têm sido em conjunto –, com o objectivo de a partir de 1 de Janeiro de 2015 estarmos a funcionar como um único instituto”, refere ao PÚBLICO José Afonso, director do novo Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço. Agora, acrescenta, considerou-se oportuno divulgar a sua existência.

A partir do próximo ano, o instituto deverá então começar a funcionar já com um orçamento único (com a atribuição de dinheiro destinado a despesas de funcionamento resultante da avaliação em curso aos centros de investigação do país por parte da Fundação para a Ciência e a Tecnologia e que está a gerar controvérsia).

Porquê a fusão? “Este processo pretende dar ainda mais capacidade de afirmação internacional à astronomia portuguesa”, explica José Afonso. “Faz todo o sentido a defesa do interesse nacional em organismos internacionais: estamos muito focados na participação no Observatório Europeu do Sul [ESO, uma organização de astronomia] e na Agência Espacial Europeia [ESA]. E neste momento, com o Instituto de Astrofísica, temos massa crítica suficiente para podermos participar com outra força nos projectos destas duas instituições com maior relevância do que até agora.”

O astrónomo sublinha que as ciências do espaço são a área de investigação que em Portugal tem maior impacto internacional. “É um caso notável no panorama europeu”, diz. Por exemplo, é a área científica que tem a média mais alta de citações por artigo científico, um parâmetro que indica a importância da investigação realizada.