Barroso diz a Putin para não "subestimar" a determinação da Europa quanto à Ucrânia

Há cerca de mil soldados russos no Leste do país, segundo a NATO. No terreno, combates intensificam-se com os separatistas a avançarem para sul.

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Poroshenko foi recebido em Bruxelas pelo presidnete do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy Yves Logghe/Reuters

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, disse neste sábado que a situação na Ucrânia pode chegar "ao ponto de não retorno" e advertiu a Rússia para não "subestimar" a "determinação" da Europa.

Barroso, que está na cimeira da União Europeia em Bruxelas - em que o Presidente ucraniano, Petro Poroshenko, também participa -, não deixou de frisar que ainda há tempo para se chegar a uma solução política para o conflito na Ucrânia.

Poroshenko disse esperar que, na próxima semana, surjam progressos num processo que conduza à paz na Ucrânia. "Estamos à espera que, a partir de segunda-feira, possamos ver verdadeiros progressos nas negociações de paz. Porquê? Porque estamos perto daquela fronteira a partir da qual não haverá retrocesso possível no plano de paz".

O Presidente ucraniano revelou que os líderes europeus concordaram em aplicar mais sanções à Rússia, durante a cimeira em Bruxelas. A nova vaga de sanções pode abranger sectores-chave da economia russa, como o gás natural e o petróleo.

Os desenvolvimentos no terreno contradizem, porém, as palavras mais optimistas do presidente da Comissão e do Presidente ucraniano. As tropas separatistas no Leste da Ucrânia — com as quais combatem cerca de mil soldados russos, segundo a NATO, informação que o lado russo e separatista não desmente esclarecendo tratarem-se de "voluntários" e não de soldados em representação das Forças Armadas — atacaram este sábado a vila de Novosvitlivka (perto da cidade de Lugansk, na zona Nordeste do país) e, segundo o porta-voz militar ucraniano, Lisenko, citado pela Reuters, "destruiram literalmente todas as casas".

A Reuters diz que os separatistas foram forçados a retirar de outras duas povoações junto a Lugansk.

Na frente Sul do conflito entre os separatistas e o Governo da Ucrânia, os combates intensificaram-se junto a Mariupol. Trata-se de uma zona estratégica pois assegura o acesso ao Mar de Azov. A estrada entre Novoazovsk, perto da fronteira russa, e Mariupol está controlada pelas milícias pró-Moscovo, de acordo com o jornal Kyiv Post.

Na cidade portuária de 500 mil habitantes aguarda-se o avanço das forças pró-russas e já foram cavadas várias trincheiras para impedir o avanço dos tanques. Na sexta-feira cerca de duas mil pessoas juntaram-se no centro de Mariupol para protestar contra a intervenção russa.

Há combates intensos junto às povoações na linha costeira, Mariupol a ser o alvo prioritário dos separatistas. O corredor sul liga ainda o Leste da Ucrânia à Crimeia, território ucraniano anexado pela Rússia este ano.

Segundo as Nações Unidas, quase 2600 pessoas já morreram neste conflito, que abriu a maior crise entre o Ocidente e a Rússia desde o fim da Guerra Fria.

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